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Correio da Manhã

Economia
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Divisão pára Bombardier

A divisão dos terrenos da antiga fábrica da Bombardier proposta pelo Governo e pela empresa não foi aceite pela Câmara da Amadora, apurou o Correio da Manhã junto de fonte próxima do processo. Os atrasos no lançamento do projecto do Centro de Inovação Ferroviária da Amadora está a deixar os trabalhadores da ex-Bombardier “muito preocupados”, afirmou ao CM António Tremoço, do Sindicato dos Metalúrgicos.
22 de Agosto de 2006 às 00:00
A vice-presidente da Câmara da Amadora, que se encontra a substituir o presidente Joaquim Raposo, não quis prestar esclarecimentos mas o CM sabe que a autarquia não aceitou a proposta de divisão do terreno em quatro partes sugerindo antes, a divisão em duas.
O problema é que a divisão do terreno em duas partes inviabiliza a inclusão dos hangares e da linha férrea, ambos indispensáveis à actividade ferroviária.
O impasse já dura há perto de seis meses o que está a deixar preocupados os 31 ex-trabalhadores da ex--Bombardier que esperam a reabertura das instalações como Centro de Inovação Ferroviária para regressar ao trabalho.
“Estes trabalhadores só têm subsídio de desemprego até ao final do ano”, explicou ao CM António Tremoço, manifestando a sua impaciência com mais estes atrasos num processo que já vai longo.
Já a CP – que detém a empresa que vai gerir os destinos produtivos da antiga fábrica da Bombardier, a EMEF – considera que “o timing da concretização destes projectos será o que melhor defender os interesses da CP e do País”.
A empresa ferroviária esclareceu ainda que “estão em desenvolvimento os estudos necessários para a sua implementação, bem como as negociações com diversas entidades para aferir a melhor utilização deste espaço”.
Quanto à Bombardier, fonte oficial da empresa recusou-se a fazer comentários.
O Governo comprou 45 por cento das instalações da antiga fábrica da Bombardier por cerca de 7,2 milhões de euros.
DOIS ANOS E MEIO DE ADIAMENTOS
O esclarecimento total do futuro da Bombardier só chegou em Março deste ano, quando o Governo apresentou o projecto do Centro de Inovação Ferroviária da Amadora.
Chegava assim ao fim um processo de dois anos de avanços e recuso governamentais, manifestações de trabalhadores e até vigilâncias policiais para impedir a retirada de máquinas das instalações. Apresentado em Março como “uma prioridade estratégica”, no âmbito da reestruturação da EMEF, foi anunciado que o projecto contaria com um investimento de 15,5 milhões de euros para, entre outras valências, acolher um centro de formação permanente e um polo tecnológico para a electrónica.
A manutenção dos 400 postos de trabalho levou a Câmara da Amadora a bater-se pela continuação da actividade fabril naquelas instalações.
O presidente da autarquia, Joaquim Raposo, apelou mesmo ao Governo, um mês depois do encerramento da fábrica, em Março de 2004, que utilizasse todos os mecanismos ao seu alcance de forma a que a fábrica pudesse continuar a laborar.
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