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Correio da Manhã

Economia
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Donos de alojamento local estão a virar negócio para estadias mais longas

Proprietários rejeitam arrendamento tradicional mas aceitam ser casa temporária.
Wilson Ledo 7 de Abril de 2020 às 01:30
Quebra de turistas nas grandes cidades está a deixar apartamentos vazios. Proprietários procuram alternativas
Quebra de turistas nas grandes cidades está a deixar apartamentos vazios. Proprietários procuram alternativas FOTO: Pedro Catarino
Com uma quebra de 90% nas reservas, os donos de espaços de alojamento local estão a virar o negócio para estadias mais longas. O público português é o principal alvo da estratégia, a preços mais baixos. A maioria dos empresários garante, contudo, que não quer voltar ao arrendamento tradicional.

"Não vou pôr as casas para o arrendamento tradicional", assegura Carlos Braga, que gere 18 alojamentos no Algarve. Os testemunhos recolhidos pelo CM apontam no mesmo sentido: os proprietários recordam traumas passados e a falta de direitos ao arrendar casas.

Pelas plataformas de imobiliário e redes sociais já circulam anúncios relativos a espaços deixados vazios por turistas, com acordos que podem ir até um ano de arrendamento. O cenário é confirmado por Eduardo Miranda, da ALEP, a associação do setor. "Não há uma corrida [para o arrendamento] mas há abertura e interesse." O ritmo só não é maior devido a uma forte "barreira": o pagamento de mais-valias caso não seja assinado um contrato de, no mínimo, cinco anos. As regras municipais também preocupam os empresários. "Se suspender o registo, numa zona de contenção, não sei se voltarei tê-lo", conta Elsa Bastos. Com quatro espaços, esta proprietária admite contratos mais longos "com recibos de AL".

A pandemia só tornou mais evidente a abertura ao arrendamento tradicional, sobretudo em Lisboa, onde a concorrência subiu. "Registamos essa tendência desde o final de 2019. Contactam-nos para vender, quando há urgência de liquidez, ou para arrendamento", conta Ricardo Sousa, da Century 21.

Marcelo promulgou moratória de rendas
O Presidente da República promulgou o? decreto do Parlamento que estabelece um regime excecional de mora no pagamento de rendas durante o estado de emergência em casos de quebra de rendimentos dos arrendatários. O decreto, com origem numa proposta do Governo, foi aprovado com votos a favor apenas do PS e a abstenção das restantes bancadas.

PORMENORES
Zona histórica de Lisboa
Anúncios recentes mostram apartamentos T0 e T1 nas zonas do Bairro Alto, Alfama ou Castelo por 600 a 700 €/mês. Há anunciantes que dizem que o espaço era alojamento local.

Casas solidárias
O setor foi um dos primeiros a protagonizar uma onda de solidariedade, disponibilizando casas desocupadas a profissionais de saúde. A iniciativa ‘Roomsagainstcovid’ já deu alojamento a mais de 300 pessoas nas últimas semanas.
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