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Correio da Manhã

Economia
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Editora vai reforçar presença no Brasil e África

A proximidade ao meio universitário e a falta de manuais académicos colocaram a Almedina no negócio editorial há 58 anos. Começou a editar sebentas. Hoje publica 500 títulos/ano e está a internacionalizar-se
17 de Maio de 2013 às 15:00

A escolha de um pequeno espaço, em frente ao Arco de Almedina, em Coimbra, para instalar em 1955 a livraria Almedina não foi feita ao acaso. Com experiência no setor, o fundador - Joaquim Machado - escolheu estrategicamente o sítio e rapidamente beneficiou do elevado fluxo de estudantes que todos os dias por ali passava, entre a Baixa e a Alta da cidade.

Foi esta proximidade aos meios académicos, associada à falta de edição de manuais, que levou a Almedina ao negócio editorial. "Havia necessidade de começar a vender os seus próprios textos e os textos dos professores que na altura passavam por ali e lhe lançavam o desafio para editar as chamadas sebentas", refere Carlos Pinto, presidente do grupo.

Em 1963, a Almedina já estava a publicar grandes autores nacionais na área do Direito. Hoje é reconhecida como "líder nas edições jurídicas em Portugal". Desde o início que as editoras do grupo se posicionaram sobretudo nas áreas do conhecimento técnico.

Além do negócio editorial, o grupo mantém uma rede de 11 livrarias em Coimbra, Braga, Porto e Lisboa. Foi em 2000/2001 que a Almedina alargou a sua própria rede de retalho. "Até aí estávamos em Coimbra e no Porto e tínhamos uma presença tímida em Lisboa", recorda o administrador. Como Lisboa "começava a ser o mercado de livros por excelência em Portugal", o grupo montou, em 2001, a sua própria rede. O projeto tem vindo a ser desenvolvido desde essa altura.

Entre os marcos mais importantes na vida da empresa, o responsável destaca o desenvolvimento, a partir de 2000, do comércio eletrónico. "Hoje, este é um dos setores mais rentáveis da empresa em matéria de comércio", diz Carlos Pinto. A criação de uma livraria virtual marcou o início da fase de internacionalização. "Começámos a verificar que havia muitos consumidores brasileiros que compravam no nosso site. Começámos a exportar para o Brasil e, em 2005, instalámo-nos em São Paulo".

A partir daí, a Almedina começa a virar-se para o mercado africano: "Temos vindo a vender cada vez mais para os países de língua portuguesa. Neste momento, estamos a envidar esforços para entrar no mercado angolano".

É objetivo do grupo chegar, entretanto, "a todo o mercado da lusofonia". A digitalização de toda a atividade "permite-nos chegar a esses países de uma forma bastante mais simples e sem os custos de logística que temos atualmente". Possibilita ainda lançar um desafio aos autores para que escrevam em língua inglesa, permitindo assim chegar a outros países. Em breve, a empresa prevê colocar obras em inglês no mercado, especialmente da área do Direito.

Com um volume de negócios de nove milhões de euros, a Almedina edita 500 títulos por ano. O mercado português representa 80% das vendas, mas está a diminuir, ao contrário do que acontece com os mercados brasileiro e africano.

"Esperamos chegar ao final do ano já com 20% do nosso negócio feito no exterior". Para isso, a Almedina aposta no reforço da sua presença no mercado internacional, sem esquecer a fidelização de clientes no mercado interno.

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