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Correio da Manhã

Economia
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Em 10 anos é preciso pagar 90 mil milhões

Até 2021, Portugal terá de amortizar uma dívida pública de quase 90 mil milhões de euros.
24 de Março de 2011 às 00:30
Angela Merkel e Jean-Claude Trichet estão preocupados com a dívida soberana
Angela Merkel e Jean-Claude Trichet estão preocupados com a dívida soberana FOTO: Hannibal Hanschke/Reuters

O Governo poderá solicitar hoje ou amanhã, durante o Conselho Europeu, a ajuda do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). A confirmar-se o pedido, causado pela crise política e pela dificuldade de financiamento, o País necessitará de um crédito entre 80 mil e 100 mil milhões de euros, que permitirá pagar a dívida pública e o subsídio de férias dos funcionários públicos em Junho e amortizar uma dívida do Estado de quase 90 mil milhões de euros até 2021. Ontem, a taxa de juro da dívida a 5 anos foi 8,227%, um novo recorde. As autoridades da União Europeia e o FMI garantem que Portugal ainda não pediu ajuda financeira, mas, após o chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) 4 ontem no Parlamento, tudo indica que, face à subida das taxas de juro da dívida pública para níveis insustentáveis, o pedido de socorro financeiro externo será inevitável.

Para já, o próprio Governo admite no PEC 4 que a taxa de juro das Obrigações do Tesouro a 10 anos será superior a 6,5% até 2014. Daí que haja a expectativa de que Portugal consiga, através da ajuda financeira externa, crédito a taxas de juro inferiores, como aconteceu com a Grécia e a Irlanda. Certo é que as taxas de juro da dívida pública portuguesa têm batido recordes nas últimas semanas. Ontem, as taxas de juro dos títulos do Tesouro português atingiram os 8,227% nas OT a 5 anos e 7,825% nas OT a 10 anos. Há um ano os juros eram muito inferiores: 3,199% e 4,318%, respectivamente.

No mês de Junho, o Estado terá de amortizar dívida pública no valor de quase cinco mil milhões de euros. Segundo o Instituto de Gestão do Crédito Público, em Junho de 2012 a dívida soberana a amortizar ascende a 8,5 mil milhões de euros.

FMI PARTILHA APOIO COM FUNDO EUROPEU

O pedido de ajuda financeira externa deve ser formulado ao FEEF e ao FMI. Como o FEEF é destinado a apoiar os membros da Zona Euro, a maior parcela de apoio financeiro a um país desta zona é assegurado pelo FEEF. O FMI concede uma ajuda de menor montante, mas tem um papel decisivo na definição dos cortes orçamentais a aplicar.

RECEITA DE SETE MIL MILHÕES ATÉ MARÇO

O Governo anunciou ontem os objectivos trimestrais da Administração Central. Para a receita fiscal, o objectivo é atingir uma cobrança de 7.607 milhões de euros no final do primeiro trimestre, 14 876 milhões de euros nos primeiros seis meses, 24 740 milhões de euros até final de Setembro e 33 928 milhões de euros no final do ano.

ANGELA MERKEL JEAN CLAUDE TRICHET FINANÇAS
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