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Correio da Manhã

Economia

"Em Portugal só se ganham eleições com mentiras"

O antigo ministro das Finanças, Medina Carreira, considerou esta segunda-feira que em Portugal "só se ganham eleições com mentiras" e que o problema nas contas públicas portuguesas não se vai resolver com receita de impostos.
22 de Outubro de 2012 às 17:17
Medina Carreira alerta para falta de dinheiro na Segunça Social já a partir de 2020
Medina Carreira alerta para falta de dinheiro na Segunça Social já a partir de 2020 FOTO: Rafael G. Antunes/Sábado

"Em Portugal não se pode governar com base num programa eleitoral verdadeiro, só se ganham eleições com mentiras. Mentiras que vêm escondidas em duzentas ou trezentas páginas que ninguém lê", afirmou o antigo governante numa conferência sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2013, que decorreu em Lisboa.

Na conferência sobre a parte fiscal do orçamento, Henrique Medina Carreira - um dos ministros das Finanças dos governos liderados por Mário Soares - considerou ainda que não será com a receita de impostos que se resolverá o problema.

"Nós não vamos resolver o problema com impostos. Em 1960 e 1970 os impostos correspondiam grosso modo às despesas. A partir de 1980 verifica-se que as colunas amarelas [impostos] são sempre mais pequenas que as lilases [despesa]. (...) Isto demonstra que não era preciso grandes análises, nem grandes divagações", afirmou Medina Carreira.

 “ESTADO SOCIAL DEVERÁ FALIR DENTRO DE POUCOS ANOS”

O antigo ministro das Finanças prevê a falência do estado social dentro de poucos anos e diz que, segundo os seus próprios cálculos, em 2020 seriam precisos 120% dos impostos para pensões. "Prevejo dentro de alguns anos, não muitos, a falência do estado social".

"Em 1990 nós gastávamos com o estado Social 67% dos impostos, em 2000 eram 75% e em 2010,  88%. Hoje, praticamente grande parte dos impostos é para o estado social. Toda a gente acha que a saúde tem que ser boa, que a educação tem que ser melhor, que os pensionistas não podem ser atingidos, que os funcionários têm um contrato com o Estado para a vida, é neste entalamento entre aquilo que as pessoas pensam e o que é a nossa realidade que reside o grande problema", afirmou.

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