Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
3

Seguros em alerta com milionário chinês

Autoridade de Supervisão está a acompanhar o processo.
Miguel Alexandre Ganhão(miguelganhao@cmjornal.pt) 12 de Dezembro de 2015 às 01:00
Guo Guangchang foi detido
Guo Guangchang foi detido FOTO: Bobby Yip/Reuters
A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) está a acompanhar de perto a prisão do presidente da Fosun, dona da Companhia de Seguros Fidelidade. O organismo liderado por José Almaça quer saber que impacto terá a detenção de Guo Guangchang no plano de negócios da Fidelidade, a maior companhia de seguros portuguesa.

A seguradora é uma sociedade de direito português e encontra-se sob a supervisão da ASF, Guo Guangchang é o presidente do Conselho de Administração. A Fidelidade emprega 3221 trabalhadores e tem uma quota no mercado segurador português de 28 por cento, que corresponde a prémios de seguro emitidos num valor superior a quatro mil milhões de euros.

Esta sexta-feira, em comunicado, a Fosun confirmou a detenção de Guangchang, adiantando que o seu presidente está a cooperar com as autoridades e que as ações da empresa vão voltar à negociação na próxima segunda-feira.

"Estamos todos em choque, Guo era extremamente cauteloso quando se relacionava com o governo", diz uma fonte da Fosun citada pelo South China Morning Post, que acrescentou: "Guo dizia sempre que é preciso estar perto da política, mas longe dos políticos."

O presidente da Fosun foi detido na quinta-feira no aeroporto de Xangai, quando regressava de Hong Kong, tendo sido impedido de contactar com os outros responsáveis do grupo.

Ainda não é claro quais as acusações de Guo Guangchang. Pode estar em causa quer o seu relacionamento com Yao Gang, vice-presidente da Comissão Reguladora do Mercado de Valores chinês, quer a sua amizade com Ai Baojun, vice-presidente da Câmara de Xangai, uma vez que ambos estão a ser investigados pela agência anticorrupção.

Em Portugal, além da Fidelidade e da Luz Saúde (dona do Hospital da Luz), a Fosun detém uma participação de 5,3% na REN e foi um dos candidatos à compra do Novo Banco, até às negociações terem sido suspensas em setembro pelo Banco de Portugal.

No último ano, segundo os dados compilados pela agência Bloomberg até julho, o gigante empresarial, que também é dono do Club Mediterranée, anunciou dez aquisições num total de 6,4 mil milhões de dólares (5,6 mil milhões de euros).
Ver comentários