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Correio da Manhã

Economia
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Empresas têxteis na mira do Fisco

A segunda fase da ‘Operação Furacão’ tem por objectivo “fiscalizar as empresas com forte exposição internacional”, afirmou ao CM uma fonte da Administração Fiscal, acrescentando que o sector têxtil se encontra dentro daquele universo.
8 de Dezembro de 2006 às 00:00
As buscas na Delta foram realizadas nas instalações de Campo Maior e em Lisboa
As buscas na Delta foram realizadas nas instalações de Campo Maior e em Lisboa FOTO: Pedro Galego
Aquele tipo de empresas é o que mais recorre ao esquema de compra de ‘facturas falsas’ que consubstanciam ‘serviços fictícios’ e que estão na origem das alegadas fugas ao Fisco, que estão a ser agora investigadas.
Depois do sector da construção – com a Soares da Costa, Mota-Engil, Zagope e Monte Adiano – a sofrer buscas, das consultoras – como foi o caso da Delloite – e do comércio – com a Loja do Gato Preto –, ontem foi a vez do sector do cafés receber a visita dos responsáveis do Fisco.
Desde madrugada que responsáveis da Inspecção Tributária realizaram buscas em várias empresas do Grupo Delta, em Campo Maior e em Lisboa.
Em comunicado, a empresa liderada por Rui Nabeiro confirma as diligências mas “não pode deixar de estranhar que, estando as diligências cobertas pelo segredo de justiça, a Comunicação Social em peso as tenha acompanhado, desde o seu início”.
“Confia-se que as autoridades competentes averiguem o crime de violação de segredo de justiça cometido, atenta à gravidade dos factos para a imagem nacional e internacional do Grupo”, refere o mesmo comunicado.
Também a Associação de Empresas de Construção Civil e Obras Públicas (AECOPS) desdramatizou ontem “o impacto e as consequências” que poderá ter no sector das obras públicas a investigação da Inspecção Tributária e Direcção-Geral de Contribuições e Impostos a grandes empresas de construção, por suspeita de evasão fiscal.
“Este não é o único sector que em Portugal é visado pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), do Ministério Público”, disse à Lusa o director-geral da AECOPS.
“Trata-se de uma actividade normal por parte da Administração Fiscal e não terá impacto de maior no sector da construção e obras públicas”, sublinhou Tomás Gomes, acrescentando que, as empresas visitadas “têm exposição mediática”.
NOTAS
FINANÇAS
Teixeira dos Santos escusou-se ontem a comentar as diligências do DCIAP e dos Impostos, alegando tratar-se de matéria que se encontra protegida pelo sigilo fiscal.
JUDICIÁRIA AFASTADA
O director-geral da PJ escusou-se ontem a comentar o afastamento desta polícia na segunda fase da ‘Operação Furacão’.
SOARES DA COSTA
As buscas à construtora Soares da Costa estiveram directamente relacionadas com as buscas realizadas em Outurbo de 2005 ao Millennium BCP.
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