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Correio da Manhã

Economia
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Empréstimo em risco

O presidente do Ecofin, Jean-Claude Juncker, levantou ontem a hipótese de o empréstimo a Portugal não ser aprovado na reunião dos ministros das Finanças de 16 de Maio.

29 de Abril de 2011 às 00:30
Negociações. Ontem foi dia de trabalho intenso para a equipa das Finanças. O secretário de Estado do Tesouro, Costa Pina, acompanhou Teixeira dos Santos nas conversas finais com a troika.
Negociações. Ontem foi dia de trabalho intenso para a equipa das Finanças. O secretário de Estado do Tesouro, Costa Pina, acompanhou Teixeira dos Santos nas conversas finais com a troika. FOTO: Vítor Mota

"Parece-me muito curto (o prazo), não por causa do dossier mas devido à dificuldade em obter uma decisão finlandesa", disse Juncker em Paris. Segundo o líder dos ministros das Finanças da Europa, o entrave à aprovação da ajuda a Portugal reside na Finlândia, que "não tem Governo nem um parlamento em actividade", disse, acrescentando que, desse modo, "é difícil às autoridades finlandesas dizerem sim ou não até meados de Maio". Para tentar desbloquear o impasse, Juncker adiantou que vai reunir-se com Jean-Claude Trichet, líder do Banco Central Europeu, e Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia (CE).

As dúvidas de Juncker foram conhecidas no mesmo dia em que a Comissão Europeia referiu que as negociações para a ajuda a Portugal prosseguem e que, por isso, o pacote de ajuda ainda não está concluído.

O FMI, por seu lado, manifestou-se disponível para negociar as condições da ajuda a Portugal "durante o tempo que for necessário", disse ontem em Washington um porta-voz da instituição.

'TROIKA' NÃO REVELOU PLANO

O presidente do BPI, Fernando Ulrich, admitiu ontem que saiu da reunião com os técnicos da ‘troika’ sem a noção das medidas que farão parte do plano que a missão conjunta do FMI, BCE e UE prepara para o País. "Das perguntas que [os técnicos] fizeram não consegui discernir o plano que vai ser apresentado", explicou. Comentando as palavras de José Sócrates, que numa entrevista disse ter sido a Banca a empurrar o Governo para o pedido de ajuda externa, Ulrich recusou ainda qualquer responsabilidade do banco a que preside. "De certeza absoluta que não era ao BPI que o senhor primeiro-ministro se estava a referir", justificou, até porque "o BPI não compra dívida pública portuguesa desde Novembro de 2009". O banco apresentou lucros de 45,3 milhões de euros no primeiro trimestre.

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