É na planície alentejana que são criados os porcos que a Montaraz de Garvão transforma em presuntos <br/>e enchidos que chegam à mesa dos portugueses. A exportação é agora a prioridade da empresa
Foi no início do século que um grupo de produtores de porco de raça alentejana da região de Ourique desafiou os industriais locais para a criação de uma unidade de transformação de carne daquela raça autóctone. A ideia transformou-se rapidamente em projecto, tendo a Montaraz iniciado a produção em 2007 na freguesia de Garvão. Hoje, coloca os seus presuntos e enchidos em todo o País.
"O objectivo foi dotar a região de uma unidade industrial que pudesse criar valor acrescentado à excelente matéria-prima da região, que, de outra forma, era apenas escoada para as indústrias de transformação espanholas", sublinha ao CM o administrador Rui Carapuça, que não esquece os obstáculos que tiveram de ser ultrapassados nos primeiros tempos. "O processo da criação da Montaraz é seguramente um bom exemplo das dificuldades sentidas pelos empreendedores em Portugal. Tínhamos um grupo de investidores prontos a avançar, tínhamos reunido o capital para o investimento, tínhamos um projecto com linha de apoios ao investimento aprovada e tínhamos ainda uma câmara municipal empenhada em viabilizar a instalação da indústria. Lamentavelmente não havia no plano director municipal terrenos aprovados para a implantação de indústrias. Esta lacuna prolongou por mais de dois anos o início da construção da unidade", recorda este responsável.
Inaugurada oficialmente pelo então primeiro-ministro José Sócrates, a Montaraz de Garvão rapidamente cimentou a sua posição no mercado, beneficiando do facto dos seus produtos serem produzidos a partir da carne de porco preto de raça alentejana, "uma matéria-prima de grande qualidade". "A aceitação dos nossos produtos tem sido muito boa e, felizmente, as nossas vendas têm vindo a subir de forma sustentada de ano para ano", acrescenta Rui Carapuça.
A empresa emprega actualmente 25 pessoas. Em 2011 registou um volume de negócios de 1,8 milhões de euros. Do portefólio destacam-se iguarias como presuntos e paletas com a IGP Santana da Serra, os enchidos (paio do lombo, paiola, cupita, palaio, salsichão, paio vermelho, paio preto, chouriço, chouriço preto e farinheira) e a carne fresca, comercializada em cuvetes. Em média, a Montaraz de Garvão transforma anualmente três mil porcos de raça alentejana (todos criados em regime extensivo) num total de 300 toneladas de produtos, que se destinam quase em exclusivo ao mercado nacional. "Estamos presentes nas principais cadeias de hipermercados e comercializamos também através de algumas empresas de distribuição regionais", adianta Rui Carapuça, garantindo que a exportação, apesar de ter ainda pouca expressão, é uma prioridade da empresa para o futuro. "Trata--se de um canal fundamental para podermos continuar a crescer", justifica. As actuais dificuldades económicas dos portugueses não passam ao lado da Montaraz, que em conjunto com as grandes superfícies tem vindo a apresentar novos produtos "anticrise", de modo a segurar os seus clientes. "Temos vindo a lançar novas propostas de apresentação e comercialização dos produtos, tais como fatiados ou embalagens de menor peso unitário", explica o administrador.
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