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Correio da Manhã

Economia
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Esperança renasce para os clientes

Trinta horas depois, os clientes do Banco Privado Português (BPP) deram por suspensa a ocupação da delegação do Porto, numa altura em que já tinham chegado vários depositantes de Lisboa. As negociações com a administração do BPP foram consideradas "positivas", segundo Durval Padrão, porta-voz do grupo. António Laranjeiro, representante da administração do BPP, não garante, contudo, que os depósitos sejam entregues. "Estamos a fazer os possíveis", assegurou.
9 de Maio de 2009 às 00:30
Clientes do BPP iniciaram a desmobilização, abandonando o edifício pacificamente
Clientes do BPP iniciaram a desmobilização, abandonando o edifício pacificamente FOTO: Sónia Caldas

As afirmações de Carlos Tavares, da CMVM, assegurando que os dinheiros dos clientes do BPP eram de facto depósitos, aliadas à garantia dada pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, da devolução dos mesmos depósitos, contribuíram para o desfecho positivo.

Durval Padrão referiu que 'vai ser dado o benefício da dúvida às instituições'. A criação de um grupo de trabalho que também integre uma comissão de representantes dos clientes do banco foi visto como uma vitória.

À saída da reunião, António Laranjeiro, representante do BPP, não confirmou o retorno dos depósitos. 'Não demos nenhuma garantia. Apenas dialogamos porque sabemos da situação em que se encontram'. O representante da administração lembrou que 'o banco não tem forma de resolver o problema sozinho, esperando o apoio do Estado'.

Desde ontem à tarde que cerca de 150 clientes se mantinham na filial do BPP, mostrando muitas situações dramáticas. António Alves, 69 anos, tem perto de 450 mil euros depositados no BPP. 'Passei anos a trabalhar na África de Sul. É a minha reforma. Nunca descontei para nada', lamentou.

APAGADA MORADA DE RENDEIRO

O banqueiro que os clientes barricados na filial do BPP no Porto culpam pela situação a que o banco chegou, João Rendeiro, terá usado dinheiro do BPP para despesas pessoais. Isto segundo noticiou ontem o ‘Público’, referindo um relatório da Deloitte . Existe mesmo a ameaça destes clientes fazerem em Lisboa o protesto que decorreu até ontem, ao fim da tarde, no Porto. Apesar disso, a CMVM tinha, no seu sítio on-line, a carta enviada pelo seu presidente, Carlos Tavares, a João Rendeiro a pedir desculpa por tê-lo comparado a Madoff, que mostrava a morada do banqueiro, na Quinta Patino, em Cascais. Ontem, esse lapso já tinha sido corrigido.

Segundo a SIC, se o Governo deixar o BPP falir, poderão ficar no desemprego 4 mil trabalhadores de 20 empresas que investiram no banco.

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