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Correio da Manhã

Economia
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ESTADO GANHA COM ESTRADAS

As estradas geram entre 18 a 20 por cento de receitas correntes do Estado. Dessa percentagem, apenas 10 por cento são canalizadas para estradas. As contas são de António Lamas, ex-presidente do Instituto das Estradas de Portugal, que ontem as partilhou com técnicos presentes no III Congresso Rodoviário Português, que termina amanhã em Lisboa.
25 de Novembro de 2004 às 00:00
Para António Lamas, esquece-se o enorme “esforço financeiro feito pelos utentes”, pois eles já pagam as estradas, através de impostos sobre o combustível, sobre a circulação, já para não falar nos tradicionais IVA e IRC.
Por outro lado, António Lamas sugeriu mais criatividade na aplicação do modelo de parcerias entre o público e o privado.
Outras contas fez o ministro dos Transportes, António Mexia, ao anunciar o investimento necessário à conclusão do Plano Rodoviário Nacional e à reparação das vias: “Até 2015, o Estado vai gastar 20 mil milhões de euros nas estradas, dos quais 500 milhões anuais na segurança rodoviária.”
Também a Brisa anunciou que “vai investir 1,442 mil milhões na rede de auto-estradas nos próximos cinco anos”, afirmou Vasco de Mello, presidente da empresa. Na nova concessão da Litoral Centro, na Grande Lisboa, “a empresa vai investir 613 milhões de euros, e na A10 e na A13 vai investir 370 milhões de euros”.
BAGÃO E MEXIA ESTUDAM TAXAS
A introdução de taxas à entrada das cidades está nas mãos das autarquias mas antes é preciso “racionalizar diversas coisas, entre elas o estacionamento”, afirmou ontem o ministro dos Transportes, António Mexia.
A possibilidade das autarquias cobrarem taxas à entrada das cidades está inscrita, tal como o Correio da Manhã já divulgou, no Plano de Combate à Dependência Energética.
Segundo António Mexia, o Governo tem de ter “coragem para tomar decisões difíceis” e que a questão da cobrança depende antes de mais de uma “mudança cultural” da população. Também Marina Ferreira, presidente da Autoridade Metropolitana de Lisboa (AMTL), confirmou que as portagens à entrada das cidades são uma das propostas da AMTL para o financiamento do sistema de transportes públicos da capital. “Faz sentido que as verbas geradas no sistema de mobilidade [privada] revertam para o sistema de transportes públicos”, disse a responsável, lembrando que “para melhorar o sistema actual tem de haver meios financeiros”.
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