Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
5

Estado não poderá ajudar a TAP até 2030

Cortes de 30% do salário na cúpula da empresa serão aplicados já este mês.
Miguel Alexandre Ganhão(miguelganhao@cmjornal.pt) 24 de Fevereiro de 2021 às 08:12
Miguel Frasquilho foi ouvido pelos deputados da Comissão Parlamentar de Economia por videoconferência
Miguel Frasquilho foi ouvido pelos deputados da Comissão Parlamentar de Economia por videoconferência FOTO: Pedro Catarino

Depois de negociado o plano de reestruturação da TAP com Bruxelas, que já não será concluído no próximo mês de março, o Estado não vai poder ajudar a companhia aérea até 2030.

Mais, a gestão da companhia será vigiada de perto pela Direção-Geral da Concorrência além de 2025, revelou Miguel Frasquilho, presidente não executivo da empresa, no Parlamento. Além do chairman, também Ramiro Sequeira, presidente-executivo, foi esta terça-feira ouvido na comissão de Economia.


O gestor executivo revelou que a frota de aviões (que era de 105 aeronaves) será reduzida para 88 aviões de passageiros e três aviões de carga. Ramiro Sequeira disse ainda que as negociações com os sindicatos acabaram e que, se o acordo não for aceite pelos sindicados (SPAC e SNPVAC) que ainda não o ratificaram, será aplicado a estes trabalhadores o "regime sucedâneo" a partir de dia 1 de março. Já este mês os ordenados da administração sofrerão um corte de 30%.

Já Miguel Frasquilho referiu que "a massa salarial da companhia em 2025 terá de ser inferior à de 2019". O chairman adiantou que existe um plano de adesão voluntário (pré-reformas, licenças sem vencimento, etc.) em vigor até 14 de março e que já tem mais de 300 adesões. Frasquilho admitiu que quem conduz as negociações em Bruxelas é o Governo e não a administração da TAP. 

Aviões Embraer em vez de Airbus
Ramiro Sequeira, presidente-executivo, explicou que a aposta da TAP em aviões Embraer em vez de Airbus se justifica pela análise feita pela companhia de que a recuperação da atividade será baseada, numa primeira fase, no uso de aviões mais pequenos em detrimento das maiores.

Saiba mais
1,3 mil milhões de euros foram as poupanças conseguidas pela renegociação da entrega de 15 aviões Airbus já comprados.

Manutenção deixa Brasil
A TAP vai deixar de fazer manutenção dos seus aviões no Brasil a partir do fim de 2021, para começar a ser feita em Lisboa.

Transporte de vacinas para o Brasil
O presidente-executivo da TAP disse que a operação da companhia foi reduzida em 93% este mês e que, em 2020, a TAP conseguiu 11 milhões de receitas a mais com o transporte de carga.

Ramiro Sequeira adiantou que foi a TAP que fez 20 voos da China para o Brasil transportando vacinas contra a Covid-19. O CEO disse ainda que a recuperação da atividade aérea será lenta e que um resultado operacional positivo poderá ser atingido em 2023.

Ver comentários