Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
5

Estado vai poupar na net

A partir da próxima semama, vai estar disponível o Portal das Compras Públicas, uma página na internet onde, virtualmente, qualquer tipo de fornecedor se pode candidatar a vender o seu produto ao Estado. Já no próximo ano, as poupanças geradas pelas compras electrónicas poderão atingir os 250 milhões de euros.
13 de Janeiro de 2005 às 00:00
O Governo vai investir 3,5 milhões de euros no programa nacional de compras electrónicas este ano, cuja face mais visível é o endereço www.compras.gov.pt , o portal de compras.
Nesta primeira fase, o portal é essencialmente informativo, mas no futuro será igualmente transaccional. Ou seja, através deste programa, o Estado passa a comprar ‘on-line’ papel, material de escritório e consumíveis informáticos entre outros.
O projecto foi apresentado ontem pormenorizadamente em Lisboa pelo responsável pela Agência para a Sociedade do Conhecimento, Diogo Vasconcelos, numa cerimónia em que participaram os ministros da Presidência, Morais Sarmento, e das Finanças. Bagão Félix.
Os números da popupança ganham mais sentido tendo em conta os valores que representam as compras ministeriais que, para este ano, e segundo o ministro das Finanças, atingem os cerca de 2,4 mil milhões de euros para a compra de bens pela Administração Central.
METADE DOS FORNECIMENTOS
“Supondo que nos próximos dois, três anos metade destes fornecimentos são objecto de compra electrónica e supondo uma poupança média de 20 por cento nas transacções” poderá chegar-se, segundo Bagão Félix, a um valor próximo daquele apresentado por Morais Sarmento.
Estas poupanças não incluem as geradas pelas alterações ao nível dos processos, que não só libertam trabalhadores de algumas tarefas como facilitam as compras.
A este respeito, só o Registo Nacional de Fornecedores irá acabar com “o calvário da credenciação das empresas (para os concursos públicos), que é alucinante, e com o pesadelo dos advogados, quando as empresas são afastadas dos concursos por falta de documentação”, exemplificou o ministro da Presidência. Com este processo digital, os fornecedores ficam certificados para todos os concursos durante um dado período de tempo, evitando o repetição de documentos sempre que pretendam concorrer.
Outra vantagem colateral é o desenvolvimento das pequenas e médias empresas, sublinhou o gestor da UMIC Diogo Vasconcelos, recordando que têm sido elas a apresentar-se e a ganhar os leilões.
PROJECTOS ENVOLVERAM OITO MINISTÉRIOS
As compras da Administração Pública através da internet já começaram, mas apenas a título experimental, em finais de 2003. Foram efectuadas 27 negociações, nas quais se obteve em média 30 por cento de poupanças. O volume de compras envolvidas foi um por cento da despesa dos oito ministérios envolvidos e gerou poupanças de 3,5 milhões de euros.
Esta poupança resulta apenas de ganho de preço considerando o efeito de agregação, não incluindo a poupança de entre dez a 15 por cento resultante do efeito de alisamento de preço. É que à poupança conseguida no momento da negociação acresce a poupança que resulta do nivelamento de preço, ou seja, conseguir que todos os organismos envolvidos comprem ao preço mais baixo.
O investimento nesta primeira vaga de projectos-piloto rondou os 900 mil euros. As câmaras municipais acabaram também por serem envolvidas no projecto, tendo-se realizado em Dezembro um leilão onde participaram 15 autarquias que obtiveram poupanças de cerca de 35 por cento na compra de papel.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)