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Correio da Manhã

Economia
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Estudo: Ter mais formação não dá emprego

Estudo realizado pela OCDE revela que ter um curso superior em Portugal não é uma vantagem para permanecer activo no mercado de trabalho
21 de Agosto de 2011 às 00:30
Em Portugal, as habilitações literárias parecem não pesar na hora de arranjar emprego
Em Portugal, as habilitações literárias parecem não pesar na hora de arranjar emprego FOTO: Jorge Paula

Em Portugal, o risco de uma pessoa com o Ensino Secundário ficar desempregada é exactamente o mesmo de alguém com estudos superiores. Na média da UE, quem tem menos estudos tem duas vezes mais probabilidades de ficar sem trabalho.

Os números constam de um relatório da OCDE relativo a 2010, no qual revela que Portugal é o país em que para se ficar desempregado o que menos interessa são as qualificações académicas. Dos 33 países analisados pela organização, Portugal está no fim da lista, abaixo da Turquia, México ou Eslovénia. Em Espanha, o risco de alguém com Ensino Secundário ou menos estudos ficar sem emprego é duas vezes mais alto do que para um universitário. Na Finlândia, o risco é três vezes superior.

Esta realidade de que ter uma licenciatura já não é garantia de um emprego é comprovada pelos números do INE sobre o desemprego. Em Junho deste ano havia 80 mil ‘doutores’ sem trabalho.

Segundo o Observatório Europeu do Emprego quatro em cada dez desempregados em Portugal têm menos de 33 anos e dispõem de estudos superiores.

Os dados do Ministério da Educação e Ensino Superior, de 2008, apontavam para os cursos das ciências sociais, como Direito ou Jornalismo, e das ciências empresariais como sendo as áreas de onde provinham a maioria dos desempregados licenciados.

JOVENS DESISTEM DE CURSOS

Em parte desmotivados pelo facto de que anos de estudos universitários podem resultar numa saída do mundo académico apenas para o desemprego, pela primeira vez em 4 anos, o número de candidatos ao Ensino Superior ficou abaixo dos 50 mil alunos na primeira fase do concurso nacional de acesso às universidades e politécnicos. De acordo com dados oficiais, foram registadas 46 678 candidaturas para as 54 068 vagas, distribuídas pelos 1181 cursos superiores. Isto significa que houve menos 5500 alunos a optarem por continuarem os estudos num nível superior em relação ano lectivo anterior que contou com 52 183 candidatos. OCDE realça a importância de os países terem cidadãos qualificados para progredirem.

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