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Correio da Manhã

Economia

Euribor bate recorde

A Euribor a um ano atingiu ontem os 3,396 por cento, o valor mais alto desde Setembro de 2001, subindo igualmente nos restantes prazos. Este aumento reflecte as expectativas do mercado segundo as quais o Banco Central Europeu (BCE) deverá anunciar amanhã um novo agravamento das taxas de juros na Zona Euro. Mesmo sem aumento da taxa directora, a subida da Euribor implica um agravamento das prestações dos créditos à habitação.
7 de Junho de 2006 às 00:00
Pagar o empréstimo da casa vai ficar mais caro
Pagar o empréstimo da casa vai ficar mais caro FOTO: Paulo Arez
A Euribor a seis meses, que é a taxa de indexação mais utilizada nos créditos à habitação em Portugal, atingiu ontem os 3,14 por cento, o valor mais elevado desde Novembro de 2002.
Estes aumentos irão pesar nos bolsos dos portugueses já este mês, uma vez que irá fazer subir as prestações mensais dos empréstimos para a compra de casa indexados à Euribor.
Amanhã o Conselho de Governadores do BCE – a entidade responsável pela política monetária da Zona Euro – vai reunir-se e os analistas económicos prevêem uma subida de 25 pontos base para os 2,75%. Há, porém, economistas que apontam para que a autoridade monetária europeia vá mais longe e aumente a taxa directora em 50 pontos, para os três por cento.
Além do aumento da Euribor, também a subida dos preços ao consumidor para os 2,5 por cento na Zona Euro, em Maio, fazem prever o agravamento das taxas de juros.
Este será o terceiro aumento anunciado pelo BCE depois das subidas de 0,25 pontos em Dezembro e em Março. A taxa directora da Zona Euro manteve-se nos dois por cento durante vários meses, mais concretamente desde Junho de 2003.
Na reunião do mês passado, o organismo presidido por Jean-Claude Trichet recusou agravar as taxas de juros na Zona Euro, mas não afastou a possibilidade de o fazer na reunião seguinte, ou seja no encontro que decorre amanhã, em Madrid, e falou na possibilidade do aumento ser de 50 pontos base.
MEDIDAS DE REFÚGIO A ADOPTAR
A subida das taxas de juro está a ser combatida pelas famílias através de uma série de medidas ‘refúgio’. A principal delas tem sido a renegociação dos ‘spreads’ (margens de lucro que os bancos aplicam sobre a taxa de juro de referência). Outra possibilidade para escapar à subida da prestação é o aumento do tempo do empréstimo.
Segundo dados da Caixa Geral de Depósitos só 37,1 por cento dos empréstimos para habitação têm prazos superiores a 25 anos. Uma terceira possibilidade, cada vez mais procurada por quem compra casa, é a negociação de uma taxa fixa.
Trata-se de uma forma de acautelar que, durante parte da vida do empréstimo (cinco, 10 ou 15 anos) a taxa permanece igual. Actualmente a taxa fixa a cinco anos ronda os 3,98 por cento.
250 EUROS A MAIS AO FIM DO ANO
A tradução automática de uma subida da taxa de juro em 0,25% representa para o bolso dos consumidores que recorreram ao crédito um acréscimo anual de 250 euros por ano por cada 100 mil euros de empréstimo à habitação.
Se o aumento a anunciar amanhã pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, for de 0,50 pontos, a subida da prestação mensal totalizará os 500 euros ao fim de um ano. Isto sem ter em conta factores como a duração do empréstimo ou a amortização.
Os créditos à habitação revistos este mês e que têm a Euribor a um ano como indexante vão sofrer o agravamento mais significativo nas prestações mensais. Enquanto as taxas dos créditos indexados à Euribor a um ano revistas em Maio aumentaram 0,50 pontos, os que serão alterados este mês subirão o dobro, isto é, 1,125 pontos.
Desde Junho do ano passado, os empréstimos a habitação indexados à Euribor a um ano já aumentaram mais de 1290 euros por cada cem mil euros, ou seja, os portugueses estão a pagar mais 107 euros mensais pelos seus créditos do que pagavam há um ano.
APONTAMENTOS
NEGOCIAR
Os subscritores de contratos de empréstimos para a compra de habitação podem negociar com as instituições bancárias uma diminuição da prestação. Como os bancos são cada vez mais concorrentes, reduzem os respectivos ‘spreads’. Actualmente o ‘spread’ mais baixo é 0,29 por cento, praticado por vários bancos.
ALARGAR
Outra medida para fazer baixar a prestação da casa é negociar com o banco que concede o empréstimo um alargamento do prazo de pagamento. O prazo máximo actualmente praticado é de 40 anos ou, em casos especiais e perante situações especiais, 50 anos.
ESTADOS UNIDOS
Nos Estados Unidos, a Reserva Federal tem vindo a
efectuar sucessivos aumentos desde há vários meses.
Actualmente a taxa de juro directora norte-americana está nos cinco por cento.
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