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Correio da Manhã

Economia
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Factura de 113 euros

A pressão dos mercados financeiros sobre a dívida pública causou mais uma vítima: seis meses depois da Grécia, a Irlanda foi obrigada a pedir um apoio à União Europeia (UE) e ao FMI na ordem de 90 mil milhões de euros, dos quais 60 mil milhões serão da UE.
23 de Novembro de 2010 às 00:30
O primeiro ministro Brian Cowe
O primeiro ministro Brian Cowe FOTO: Stringer/Epa

Portugal, caso se confirme este valor, contribuirá com cerca de 1,2 mil milhões de euros, correspondente a quase 113 euros por cada português para salvar os irlandeses da falência. Com esta intervenção na Irlanda, os líderes europeus esperam acalmar os mercados financeiros, mas alguns especialistas receiam que Portugal, dadas as necessidades de financiamento em 2011, seja a próxima vítima.

O resgate da Irlanda foi elogiado pelos líderes europeus, mas já está a ter consequências internas, com o governo a anunciar que vai pedir a dissolução do Parlamento após a aprovação do Orçamento. A ajuda à Irlanda foi justificada com a necessidade de "salvaguardar a estabilidade financeira da UE e da Zona Euro".

Por isso, ontem, um porta-voz do governo alemão fez questão de frisar que, "de momento, não há nenhum outro país que constitua uma ameaça para a estabilidade financeira da Zona Euro". Jean--Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE), recusou ontem comentar o risco de contágio do resgate da Irlanda a Portugal, ainda que tenha frisado que "o que conta é que tenhamos um bom plano para a Irlanda".

Ontem, após a oficialização da ajuda à Irlanda, o risco da dívida pública portuguesa era o que mais crescia no Mundo: o custo dos ‘credit default swaps’, seguro pago pelos investidores, das Obrigações do Tesouro a cinco anos subiu 46,2 pontos-base, atingindo 459 pontos. Para já, José Sócrates espera que o risco de contágio não ocorra: "Espero que a Irlanda, ao recorrer ao fundo da UE, faça com que se normalize a situação nos mercados, porque Portugal estava a sofrer um nítido efeito de contágio." E garantiu que "Portugal não precisa da ajuda de ninguém e vai resolver os seus problemas".

O Ministério das Finanças garante que "participaremos [na ajuda à Irlanda], como o fizemos para a Grécia, nos termos dos nossos compromissos no âmbito do EFSF [Fundo Europeu de Estabilização Financeira]". Ao todo, a ajuda à Grécia e à Irlanda rondará os dois mil milhões de euros.

CRISE DERRUBA GOVERNO

O pedido de ajuda à UE abriu brechas no governo irlandês, forçando o primeiro-ministro, Brian Cowen, a anunciar a convocação de eleições antecipadas após a aprovação do orçamento, em Dezembro. Cowen apelou ainda à oposição para aprovar as medidas de austeridade, que incluem cortes no salário mínimo e na Segurança Social e a redução do número de funcionários públicos.

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