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Correio da Manhã

Economia
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Falta de água estraga 25 toneladas de maçã

A seca extrema que está a afectar o nosso País é responsável pela perda de 25 mil toneladas de maçã na região da Beira Alta, o que se traduz em mais de seis milhões de euros de prejuízos, denuncia a Associação de Fruticultores de Armamar (AFA).
14 de Agosto de 2005 às 00:00
Se não chover nos próximos 15 dias a situação vai agravar-se para os fruticultores de Armamar
Se não chover nos próximos 15 dias a situação vai agravar-se para os fruticultores de Armamar FOTO: Iolanda Vilar
“Trata-se de uma catástrofe económica para esta região”, dizem os fruticultores, que viram os seus pomares dizimados pela falta de água.
Segundo José Osório, presidente da AFA, se dentro de 15 dias não houver “água do céu” a situação vai ficar “insustentável”, elevando ainda mais os valores dos prejuízos.
Para tentar salvar a principal actividade económica daquele concelho do norte do distrito de Viseu, conhecido como a ‘capital da maçã’, a AFA considera fundamental o encerramento das comportas da Barragem de Lumiares e caso essa água não seja suficiente, ponderam bombear água do Douro.
Para a Associação, constituída por 500 fruticultores, a situação é “extremamente grave” e também inédita.
“Se isto continuar assim – sem chuva nem água para as regas – vamos perder quase 60 por cento da produção do concelho, pois as frutas não terão condições para se desenvolver e atingir níveis satisfatórios de qualidade para serem comercializadas”, referiu José Osório.
Tendo em conta esta situação, que é “dramática” para aquela comunidade, o presidente da AFA pediu uma audiência com o ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, com a finalidade de “alertar” para o problema.
“Vamos pedir de imediato um subsídio para cada fruticultor, mediante a produção de cada um, além de pedir, também, uma avaliação para saber o que mais poderá ser feito”, acrescenta o fruticultor.
É A SEGUNDA CRISE EM DEZ ANOS
Euclides Correia é um dos muitos produtores atingidos. Prevê um prejuízo de 40 mil euros no seu pomar com seis hectares, onde tem plantadas oito mil macieiras que estão “a morrer à sede”. “Para cuidar do pomar gasto, anualmente, seis mil euros, obtendo uma produção de 240 toneladas de maçãs por ano.
Entretanto, este ano, devido à seca, a produção deve cair para 50 toneladas”, observa o agricultor. Esta é a segunda grande crise que atinge a Associação de Fruticultores de Armamar (AFA) desde a sua criação em 1992. Em 1995 uma forte geada prejudicou muitos fruticultores, tendo a crise sido minimizada com a atribuição de um subsídio aos produtores afectados.
A maior parte dos fruticultores associados da AFA produz maçãs das variedades golden e starking, por serem muito resistentes e assim se adaptarem melhor ao frio que outras variedades. Produzem-se em zonas de grande altitude e têm ambas um elevado teor de açúcar, em especial a golden, cuja floração se apresenta entre o verde e o amarelo.
A variedade starking é vermelha. Quanto ao calibre, varia entre 70 e 75 e 75 e 80. No concelho de Armamar existem ainda pomares que produzem outras variedades, como a bravo esmolfe, reineta e royal gala. Um outro tipo, não tão representativo, é a maça fugi, ainda numa fase de implantação, de origem oriental, sendo muito produzida na China.
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