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Correio da Manhã

Economia
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Faria de Oliveira culpa crise pelo falhanço do projeto da La Seda

Ex-presidente da CGD salientou ainda que a queda de 50% do valor do PET teve "um impacto muito negativo no sucesso do projeto".
3 de Maio de 2019 às 15:35
O antigo presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, Fernando Faria de Oliveira
O antigo presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, Fernando Faria de Oliveira
O antigo presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, Fernando Faria de Oliveira
O antigo presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, Fernando Faria de Oliveira
O antigo presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, Fernando Faria de Oliveira
O antigo presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, Fernando Faria de Oliveira
O antigo presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, Fernando Faria de Oliveira
O antigo presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, Fernando Faria de Oliveira
O antigo presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, Fernando Faria de Oliveira
O antigo presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, Fernando Faria de Oliveira
O antigo presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, Fernando Faria de Oliveira
O antigo presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, Fernando Faria de Oliveira
O ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) Fernando Faria de Oliveira disse esta sexta-feira no parlamento que a performance atual do projeto da La Seda comprova a "racionalidade" do projeto, e culpou a crise pelo falhanço do mesmo.

Sem nunca nomear diretamente o projeto, Faria de Oliveira, que presidiu à Caixa entre 2008 e 2010, disse na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão do banco que "a melhor evidência da racionalidade do projeto" é a atual exportação de 600 a 700 toneladas de produto, "presumivelmente entre 300 e 400 milhões de euros, tornando-o um dos maiores exportadores nacionais".

Faria de Oliveira explicou o falhanço da operação pelo facto da "intenção inicial de sindicar [com outros bancos] a operação estruturada" se ter deparado "com um mercado bancário praticamente encerrado para estas operações, devido à grande crise financeira internacional de 2008/2009".

O gestor disse ainda que a Artlant, projeto da La Seda para Sines, se tratava de um "projeto de interesse nacional (PIN), com uma forte componente exportadora", que "vinha na sequência de uma estratégia definida e implementada desde 2006" com o grupo CGD, e que contou com "o envolvimento ativo do Estado português no apoio ao projeto", com fundos "na ordem dos 100 milhões de euros".

O ex-presidente da Caixa salientou ainda que a queda de 50% do valor do PET, produto fabricado pela La Seda, empresa-mãe da Artlant, bem como a posterior falência da empresa espanhola "tiveram um impacto muito negativo no sucesso do projeto".

De acordo com a auditoria da EY ao banco público, a CGD tinha em 2015 uma exposição de 351 milhões de euros à Artlant.

Relativamente às 25 operações que geraram mais perdas para a CGD identificadas pela auditoria da EY, o antigo presidente disse que apenas duas foram realizadas durante o seu mandato.

Dessas, para além da Artlant, o atual presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB) referiu-se ainda à Pescanova, sem nunca nomear diretamente a empresa, que segundo a auditoria da EY devia à Caixa 25 milhões de euros em 2015.

O projeto da fábrica de Mira, distrito de Aveiro, foi "também classificado como PIN e com forte componente exportadora", bem como "financiado em conjunto com outros três bancos", e que contou "com forte apoio do Estado português".

Faria de Oliveira mencionou que "a insolvência inesperada do acionista do projeto, então considerado como uma empresa de elevada reputação e uma das maiores a nível mundial do setor, assim como problemas técnicos na produção tiveram um impacto decisivo no insucesso do projeto".

Relativamente a operações que registaram maiores perdas e que foram realizadas fora do seu mandato, Faria de Oliveira disse que no caso da Investifino conseguiu "uma reestruturação com amortização de mais de 50% de dívida do grupo", com mais valia de 48 milhões de euros para a CGD.

Já sobre os empréstimos a Joe Berardo e à Metalgest (do universo do empresário), disse que obteve "um reforço de garantias em concertação com outros bancos" e o "reembolso parcial da operação pelo produto da venda pelo mutuário de uma participação acionista".

Faria de Oliveira disse ainda que a sua administração "obviamente não subestimou as imparidades a constituir".

Faria de Oliveira referiu que as taxas de imparidade foram inferiores no seu mandato, tendo sido registado o valor de 7,3%, comparativamente com os 17,1% registados entre 2005 e 2007.

O antigo responsável disse ainda que durante o seu mandato, de acordo com excertos de relatórios do conselho fiscal da CGD, o risco operacional e controlo interno "melhorou significativamente" e "registou uma evolução positiva".
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