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Correio da Manhã

Economia
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Fernando Pinto contra Ota

Nem o facto de se encontrar na fase final de renegociação do seu contrato à frente da administração da TAP impediu Fernando Pinto de se pronunciar sobre um dos investimentos públicos que mais polémica tem suscitado, até mesmo entre socialistas: a construção do novo aeroporto da Ota.
25 de Julho de 2005 às 00:00
O administrador delegado da TAP tem reservas sobre o aeroporto da Ota
O administrador delegado da TAP tem reservas sobre o aeroporto da Ota FOTO: Natália Ferraz
Para o administrador delegado da TAP, falta uma justificação capaz de convencer a localização do projecto “longe da sua cidade principal”.
As reservas de Fernando Pinto prendem-se não só com a falta de estudos sobre aquela infra-estrutura mas também com a distância da Ota à capital portuguesa, embora não questione a necessidade de um novo aeroporto, de acordo com o ‘DN’.
Esta posição crítica surge poucos dias depois de o ministro dos Transportes, Mário Lino, ter reafirmado a vontade do Governo de avançar com o projecto e na fase final dos “procedimento administrativos” para a renovação do contrato de Fernando Pinto à frente da transportadora aérea, de acordo com fonte oficial.
Mas quanto à localização, Fernando Pinto, que é também membro da Associação de Transportadoras Aéreas, diz taxativamente nunca ter visto “um estudo a justificar a Ota”.
As dúvidas do administrador delegado da TAP, o maior operador do Aeroporto da Portela, surgem depois de críticas de outros operadores, como os agentes de viagens e os hoteleiros. Estes sectores ligados ao turismo consideram que os 50 quilómetros entre Lisboa e a Ota (a maior entre os aeroportos que servem as principais capitais europeias) irá retirar competividade a Lisboa. Como alternativa, têm defendido a utilização das bases aéreas na região de Lisboa, como a do Montijo ou Alverca.
Em termos políticos, a questão tem também merecido críticas, até de membros do PS como António Vitorino. A demonstrar que se trata de um debate por vezes deixado ao sabor dos ventos está a posição de Carmona Rodrigues na Assembleia da República em Março de 2004: “Ciente da importância do projecto”, Carmona, que era ministro das Obras Públicas, garantiu que nem o projecto nem a localização estavam em causa.
DÉCADAS DE ESTUDO
O projecto de construção do aeroporto na Ota já tinha levado, até ao ano passado, à realização de 135 estudos, que analisaram desde as questões ambientais, financeiras e técnicas, entre outras.
A contabilização foi feita em Março do ano passado por Carmona Rodrigues perante os deputados, tendo esclarecido que ele próprio, enquanto ministro das Obras Públicas do Governo de Durão Barroso, já tinha encomendado mais cinco estudos.
Entre os encomendados, encontram-se a ‘Análise da movimentação de solos na zona de implantação’, o do ‘Faseamento da construção do novo aeroporto’ e da construção do aeroporto da Ota, sem privatização da ANA, um cenário pouco explorado.
AEROPORTO DA PORTELA
EUROS
A ANA tem em curso um plano de reforço da capacidade do Aeroporto da Portela que ultrapassa os 650 milhões de euros. Neste momento,reforça a área das bagagens.
PASSAGEIROS
Os estudos indicam que a capacidade do Aeroporto de Lisboa estará esgotada em 2015, altura em que não poderá ultrapassar os 16 milhões de passageiros anuais, ou entra em ruptura.
ACESSOS
O Metropolitano de Lisboa irá estender a sua linha para chegar ao Aeroporto de Lisboa. A linha ligará a Portela à Estação do Oriente, ou seja, a aeroporto aos caminhos-de-ferro.
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