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Correio da Manhã

Economia
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Fez-se sapateiro para fugir ao desemprego

Quando se viu sem emprego, Alfredo Esteves, de Viseu, abraçou a profissão de sapateiro, mas foi por acaso que se lançou na criação de novos modelos de chinelos, aos quais deve hoje algum "desafogo" perante a crise.
14 de Fevereiro de 2012 às 09:25
Profissão de sapateiro está a desaparecer
Profissão de sapateiro está a desaparecer FOTO: d.r.

Há 14 anos, a empresa onde trabalhava encerrou e, com o dinheiro a que tinha direito do fundo de desemprego, criou o seu posto de trabalho, abrindo um "super-rápido" para calçado.

"Houve um dia em que estava a olhar para a televisão e vejo uns chinelos, gostei e fui tentar fazer uns iguais. Foi esse gesto que me levou a que hoje tenha uma série de modelos que saíram totalmente da minha cabeça. Penso nas formas quando estou na cama", disse Alfredo Esteves à agência Lusa.

O sapateiro e criador não conhecia a arte antes de pensar em criar o seu posto de trabalho e considera que "havia um dom escondido" que o confronto com o desemprego lhe permitiu desvendar.

Alfredo admite que o seu negócio principal é arranjar calçado, mas é na criação de novos modelos de chinelos que se sente realizado, embora a crise lhe tenha "batido à porta com força", como adiantou à agência Lusa.

Além dos chinelos, é naquilo a que chama "encurta biqueiras" que se tem salvo de maiores apertos e explica porquê: "Havia uma moda de botas e sapatos de biqueiras finas que agora acabou. Ora, as senhoras têm esse calçado em casa e não querem deixar de o usar e é aí que eu me torno útil, arredondando as biqueiras quando o calçado é de qualidade e é uma pena estragar-se".

Alfredo Esteves, aos 62 anos, não espera vir a ser conhecido como grande criador, mas sabe que na região já começam a ser conhecidas as suas criações e conta mesmo que, "no verão, há pessoas que chegam de outros locais do distrito para verem e comprarem os chinelos, porque levam a certeza de ter que calçar durante muitos anos e modelos únicos".

Graças aos modelos de chinelos que vão saindo das suas mãos, "já houve quem fizesse propostas para produzir em maior quantidade", mas foi coisa que Alfredo Esteves recusou "de imediato".

Segundo diz, os seus modelos "só saltam da banca com a garantia de terem os melhores materiais e a garantia de conforto no caminhar", coisa que produções grandes não lhe podem assegurar.

É que, com este modo de produção, quando lhe vem à cabeça um novo modelo - "normalmente isso acontece na cama" -, mete-se ao trabalho e, se gostar, "continua-se até ao fim", se não agradar, "mete-se de lado e passa-se para outra ideia".

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