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Fidelidade considera "momento oportuno" para vender participação na REN ao Estado

Fidelidade explicou que a participação na REN teve "sempre uma natureza essencialmente financeira" e estava inicialmente prevista para um período de aproximadamente dois anos

09 de outubro de 2026 às 21:56

A Fidelidade considerou esta sexta-feira ser um "momento oportuno" de venda ao Estado português dos 5,32% que detém na REN, após uma valorização superior a 40% da participação nos últimos dois anos.

Em resposta por escrito à Lusa, a seguradora apontou ainda o interesse manifestado pelo Estado em adquirir até 20% do capital da REN e a recente evolução da estrutura acionista da empresa, "caracterizada por um peso maior de investidores estratégicos", entre os fatores considerados na decisão.

A Fidelidade explicou que a participação na REN teve "sempre uma natureza essencialmente financeira" e estava inicialmente prevista para um período de aproximadamente dois anos, em linha com as políticas de investimento da seguradora.

"Esse período foi-se, no entanto, estendendo até ao presente em função da solidez, estabilidade e rentabilidade da empresa e da reconhecida qualidade técnica, humana e de governo da sociedade", acrescentou.

Neste contexto, a seguradora considerou que "a operação, a concretizar-se, poderá permitir uma valorização adequada do investimento realizado e, simultaneamente, poderá ter um impacto positivo no capital de solvência da seguradora, reunindo-se assim as condições para considerar este um momento oportuno para a alienação da participação".

A Fidelidade comunicou esta sexta-feira à REN ter celebrado um contrato com a Parpública, gestora das participações do Estado, para a transmissão de 35.496.424 ações, representativas de cerca de 5,32% do capital social da gestora das redes energéticas nacionais.

A concretização da compra e venda está ainda condicionada à concessão de visto pelo Tribunal de Contas.

O valor desta operação não foi divulgado, à semelhança do que aconteceu inicialmente quando foi anunciada a compra da participação do dono da Zara. Porém, a documentação remetida ao Tribunal de Contas revelou posteriormente que o Estado pagou 389,8 milhões de euros pelos 13,7% da REN detidos pela Pontegadea, a um preço de 4,25 euros por ação.

O preço representou um prémio de cerca de 15% face ao preço médio ponderado pelo volume das ações da REN nos seis meses anteriores, abaixo dos 17% a 20% inicialmente propostos pela sociedade de investimento de Amancio Ortega.

A compra à Fidelidade surge no âmbito da operação através da qual o Governo incumbiu a Parpública de adquirir até 20% do capital da REN, tendo a aquisição dos 13,7% à Pontegadea sido definida como uma "primeira fase", segundo documentação remetida ao Tribunal de Contas no âmbito do processo de fiscalização prévia daquela aquisição.

O Tribunal de Contas deu visto à compra da participação da Pontegadea em 31 de agosto, tendo a operação sido concluída em setembro.

Com a conclusão da compra à Fidelidade, o Estado passará a deter cerca de 19% da REN, mantendo-se como segundo maior acionista, atrás da State Grid Corporation of China, que detém 25%. Entre os restantes acionistas com participações relevantes encontram-se as espanholas Corporación Masaveu e Redeia, ambas com cerca de 5%.

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