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Correio da Manhã

Economia

Fortunas sobem 13%

Os milionários portugueses viram as suas fortunas aumentarem 13 por cento num ano em que a riqueza nacional subirá apenas um por cento.
6 de Agosto de 2006 às 00:00
Belmiro de Azevedo, o único português que integra a lista da ‘Forbes’ (350.º) dos homens mais ricos do Mundo, continua a liderar o exclusivo clube dos 100 portugueses que têm um património de valor superior a 64,9 milhões de euros, elencado pela revista ‘Exame’.
BELMIRO DE AZEVEDO (1779,5euros; Império - Sonae, SGPS; Sonae Indústria; Efanor Investimentos)
Belmiro de Azevedo gere a sua vida como gere a sua fortuna. À medida que os milhões aumentam – e podem duplicar se a OPA à PT avançar mesmo – faz aumentar o mito em seu redor.
Diz-se espartano, filho de um simples carpinteiro e de uma modista, que só teve três carros em 20 anos, tantos quantos leva sozinho à frente da Sonae. Mas são três BMW topo de gama que o levavam à vivenda no Ameal onde os três filhos (Nuno, Paulo e Cláudia) cresceram e agora a um duplex de 300 m2 no Porto e à moradia de férias na terra natal, Tuías. Diz ter lutado contra adversidades, a começar na Primária, onde só entrou aos oito anos. Mas pôde estudar até querer, formando-se em Engenharia Química (16) e graduando--se no estrangeiro. Diz-se um trabalhador compulsivo, que obrigou os deputados de uma Comissão Parlamentar a ouvi-lo à hora em que começa a trabalhar – 08h00. Mas inicia o dia a ler jornais, faz uma hora de ginásio e só então, quase às dez, segue para o escritório. Diz-se um irreverente político, criticando o TGV e afirmando que Marques Mendes nem para porteiro da Sonae serviria. Mas consegue pôr Sócrates a implodir as torres da Torralta e Durão Barroso numa reunião de empresários por si promovida.
Leitor compulsivo (duas horas por dia), o dono da empresa líder mundial de aglomerados de madeira e líder nacional de hipermercados sabe que o mistério vende. E ele sabe vender-se tal como sabe comprar. Depois de perder o ataque ao BPA e a compra da TVI, não quer perder a compra da PT.
AMÉRICO AMORIM (1542,3 euros; Império - Corticeira Amorim, Galp, BPI, Herdade do Peral)
“Amorim na indústria da cortiça é o número um, dois, três, quatro e cinco.” A afirmação é da revista americana ‘Forbes’ e identifica a origem da fortuna do empresário de 72 anos que ocupa o segundo lugar na listagem dos portugueses mais ricos. Mas reduzir a fortuna de Américo Ferreira Amorim à cortiça é demasiado redutor e não faz justiça ao espírito empreendedor que demonstrou ao longo de toda a sua vida.
É preciso não esquecer que Américo Amorim esteve na génese do primeiro grande banco privado português. É ele que reúne o núcleo duro de accionistas nortenhos que no dia 25 de Junho de 1982 procedem à assinatura da escritura pública que faz nascer o Banco Comercial Português (BCP). É ele que vai buscar a Espanha Jorge Jardim Gonçalves, então técnico superior do Banco Português do Atlântico, e lhe confia o projecto de expansão do BCP.
Se a liderança no mercado mundial da cortiça lhe proporcionou sempre uma âncora de financiamento, a diversificação que fez dos investimentos revelou um empresário com uma visão fora do vulgar.
Ainda recentemente, essa visão foi mais uma vez demonstrada ao tornar-se um dos mais importantes accionistas da GalpEnergia, comprando as participações da EDP e da REN na petrolífera. Os interesses de Américo Amorim estão hoje espalhados por sectores tão diversos quanto o Imobiliário, o Turismo e a Banca.
JOSÉ MANUEL DE MELLO (Império - Grupo José de Mello, Brisa, CUF, BCP, EFACEC Capital, EDP, Mello Saúde e Imobiliário)
Quando José Manuel de Mello entrou no dia 17 de Novembro de 1992 no último andar do n.º 56 da Rua Garrett, não conseguia disfarçar a emoção. Nesse dia, a companhia de seguros Império comemorava os seus 50 anos e regressava ao controlo do Grupo Mello de onde tinha sido nacionalizada em 1975. Santos Teixeira, o presidente da companhia que conduziu o processo de reprivatização, passava a seguradora ao neto de Alfredo da Silva e filho de D. Manuel de Mello, que regressara ao País poucos anos antes, respondendo ao desafio lançado pelo primeiro-ministro Cavaco Silva.
Ao entrar a sala do Conselho de Administração, de onde se podia contemplar os estaleiros da Lisnave, outra das ‘jóias da coroa’ do ex--Grupo CUF, o rosto de José Manuel de Mello abriu-se num amplo sorriso.
Depois da aquisição da Império, a ‘holding’ ‘José de Mello’ adquire o Hospital da CUF e expande a sua actividade tanto no sector industrial como no sector financeiro.
Em 2000 e 2001, o grupo adquire uma posição de referência na Brisa, fundada por Jorge de Brito, e continua a diversificar o seu portfolio de investimentos. Actualmente, o Grupo José de Mello integra a Brisa, CUF, a José de Mello Saúde, a José de Mello Imobiliária e detém participações na Efacec, no BCP e na EDP. No final de 2005, o Grupo apresentou um volume de negócios de 669 milhões de euros e lucros de 16,7 milhões.
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