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Correio da Manhã

Economia

Franco fez uma “confissão pública”

O Banco de Portugal chamou ontem a atenção para a “confissão pública” do ex-director de operações do BPN de que “colaborava na prestação de informações incompletas e não-verdadeiras às autoridades” e lembrou que estão a decorrer processos que podem levar à inibição do exercício de cargos no sistema financeiro.
14 de Fevereiro de 2009 às 00:30
Vítor Constâncio salienta que estão processos em curso
Vítor Constâncio salienta que estão processos em curso FOTO: João Miguel Rodrigues

O órgão regulador considera que António Franco, que foi ouvido quinta-feira na comissão de inquérito parlamentar, "se permitiu mesmo sublinhar a eficiência das dissimulações praticadas e a naturalidade com que participou nesses actos". Acrescenta a autoridade de supervisão que tal "deverá, pois, merecer o máximo de rigor da Lei". O Banco de Portugal salienta, ainda, que "estão em curso processos que poderão eventualmente conduzir à inibição de cargos no sistema financeiro". E acrescenta: "Outros possíveis aspectos do foro penal associados às fraudes cometidas no BPN só podem ser considerados pelo Ministério Público." A instituição liderado por Vítor Constâncio termina o seu comentário dizendo: "Esperamos que todos os responsáveis por essas fraudes mereçam a devida avaliação da opinião pública."

António Franco, ex-director de operações do BPN, afirmou aos deputados que o Banco Insular servia apenas para financiar empresas do grupo, esconder operações e ocultar lucros e prejuízos. "Grosso modo, era para ocultar prejuízos e lucros, financiar empresas do grupo e esconder operações", referiu.

LICENÇA DO INSULAR REVOGADA

A ministra das Finanças de Cabo Verde, Cristina Duarte, confirmou que o Banco de Cabo Verde revogou a licença do Banco Insular. Segundo a Inforpress, agência noticiosa cabo-verdiana, o Banco de Cabo Verde propôs ao governo a revogação da licença do Banco Insular e a mesma foi aceite pelo Ministério das Finanças. António Franco, ex-director de operações do BPN, diz que recebeu por vezes "ordens para não registar operações", sobretudo "de garantias prestadas", algumas a pedido do Conselho de Administração, e especificamente de Oliveira e Costa, mas havendo outros membros do Conselho que teriam conhecimento, como Francisco Sanchez. Revelou também que as operações com o "balcão virtual" e o Banco Insular de Cabo Verde funcionavam da mesma forma e sob ordens das mesmas pessoas, estando todas registadas.

SAIBA MAIS

AMEAÇA

António Marta, então vice-governador da entidade de supervisão chamou o conselho de administração doBPN e chegou a ameaçar a instituição com a possibilidade de "tirar a licença de recolha de depósitos"..

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