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Correio da Manhã

Economia
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Fraude ao Estado rende meio milhão

Criavam empresas e contratavam vários funcionários que, no entanto, nunca chegavam a trabalhar. Eram apenas usados e pagos pela rede para requererem, com base em falsas declarações de remuneração, subsídios de desemprego, de doença e até licenças de maternidade à Segurança Social. Durante sete anos – desde 2002 até 2009 – o grupo burlou o Estado em mais de meio milhão de euros. Ontem, a rede foi desmantelada pela Polícia Judiciária do Porto. Sete pessoas – três homens e quatro mulheres – foram detidas e outras nove constituídas arguidas.
5 de Julho de 2012 às 01:00
A denúncia partiu dos serviços de Segurança Social do Porto. Foram apreendidos quatro carros
A denúncia partiu dos serviços de Segurança Social do Porto. Foram apreendidos quatro carros FOTO: Joana Neves Correia

Os detidos serão hoje presentes a tribunal, onde serão ouvidos por um juiz de instrução. Os interrogatórios vão decorrer no TIC do Porto, depois da denúncia às autoridades, que permitiu desmantelar o esquema, ter partido dos próprios serviços da Segurança Social.

Ao que o CM apurou, a rede era liderada por um técnico oficial de contas. Juntamente com os cúmplices terá angariado mais de 100 pessoas que agregou às empresas como trabalhadores. A maioria eram cidadãos estrangeiros – grande parte era natural do Brasil – que estavam em situação precária no País. O grupo, que queria angariar grandes prestações sociais, chegava a atestar salários milionários, de 50 mil euros/mês.

Embora a fraude esteja avaliada em meio milhão, o técnico oficial de contas e os cúmplices terão tentado lesar o Estado num total de três milhões de euros, mas a atribuição de muitos dos subsídios acabou por ser negada pela Segurança Social. Os lucros da actividade criminosa eram depois dissipados pelas diversas contas bancárias dos arguidos e também através da compra de bens móveis e imóveis.

A operação, coordenada pelo DIAP do Porto, levou à apreensão de quatro carros, telemóveis e documentação.

"Fraude atinge sempre quem é mais fraco"

O ministro da Solidariedade e Segurança Social, Pedro Mota Soares, deu ontem, à saída do Parlamento, os parabéns à Polícia Judiciária pela operação realizada e afirmou que o combate à fraude nas prestações sociais é uma das prioridades do actual Governo.

"Sempre que um euro de prestações é desviado por causa de uma fraude é um euro que é retirado a quem é mais fraco e está mais desprotegido", frisou o ministro, ressalvando a importância da operação.

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