Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
5

Fronteiras bloqueadas

A ponte internacional do Guadiana, em Vila Real de Santo António, foi ontem cortada ao trânsito por camionistas portugueses e espanhóis, que protestavam devido aos horários de trabalho e por estradas mais seguras.
11 de Outubro de 2005 às 00:00
Na fronteira de Vilar Formoso, pelas mesmas razões, estiveram paradas centenas de profissionais do sector.
Na ponte do Guadiana, que esteve cortada ao trânsito durante hora e meia, também estiveram concentradas centenas de camionistas.
Em Vilar Formoso, entre as zero e as 11h00, os motoristas foram aconselhados a não entrar em Espanha, porque as autoridades policiais “não podiam garantir a sua segurança”.
Alguns destes profissionais portugueses que circularam em estradas espanholas foram apedrejados por elementos do patronato local, que se manifestaram também ontem devido ao aumento do preço dos combustíveis e à falta de apoios governamentais para enfrentar alguns custos da actividade.
Victor Pereira, da Federação de Transportes Rodoviários e Urbanos (FESTRU), lamentou os incidentes, que “não têm nada a ver a com acção pacífica” que promoveram, em parceria com a Federação de Comunicações e Transportes de Espanha, União Geral de Trabalhadores (UGT) e Comissiones Obreras (CC.OO) de Espanha”.
‘A Fadiga Mata’ foi o lema escolhido pela FESTRU para esta iniciativa, que visou “protestar, há sete anos consecutivos, contra o excesso de horas de trabalho e por estradas mais seguras”. Os motoristas lutam por “um salário digno, de acordo com o Contrato Colectivo de Trabalho que as entidades patronais não querem renegociar desde 1997; que lhes sejam pagos uma diária e o tempo efectivo de trabalho, sem serem descontadas as paragens para descargas e descanso obrigatório”.
Victor Pereira denuncia ainda a “precariedade do trabalho ao quilometro, tonelagem e viagem, e do trabalho a tempo parcial”, situações que considera ilegais e fomentadoras de fugas à Segurança Social”.
“O aumento do salário base, a redução do número de horas de trabalho e uma maior fiscalização nas estradas”, são outras das reivindicações”, adiantou, por outro lado, Vítor Gonçalves, dirigente nacional da CGTP/IN.
A obrigatoriedade dos motoristas de transportes de passageiros terem de fazer exames psicotécnicos também é criticada, “porque, aos 60 anos é natural que tenham alguma dificuldade em realizá-los. Isto está a originar chumbos e o consequente desemprego, pois a lei não prevê, nestes casos, a passagem à pré-reforma”, conclui Vítor Gonçalves.
PEDIDA MAIS FISCALIZAÇÃO ÀS EMPRESAS
A FESTRU exige uma “maior fiscalização” às empresas de transportes internacionais de mercadorias, acusando-as de pressionarem os motoristas “a cometerem ilegalidades”. A federação apela à “responsabilização criminal das empresas pelas infracções que comprometam a segurança rodoviária”.
Igual opinião tem Pedro Guerreiro, eurodeputado do PCP que ontem esteve em Vilar Formoso ao lado dos camionistas. O parlamentar, que pediu a actuação da Inspecção de Trabalho, considera “que a segurança da circulação de viaturas exige o fim dos tempos de trabalho alongados e o respeito pelos períodos de descanso”.
Entretanto, a FESTRU acusou as Associações Nacionais de Transporte de Mercadorias (ANTRAM) e de Passageiros (ANTROP) de bloquearem os processos negociais para manterem os salários baixos. “Sem a revisão do Contrato Colectivo de Trabalho, os camionistas vêem reduzidos os seus salários reais e são pressionados para fazerem mais horas do que é recomendado”, afirma Victor Pereira, dirigente da FESTRU, acrescentando: “Alguns patrões usam formas de pagamentos ilegais, obrigando motoristas a trabalhar 12, 14 e 16 horas por dia”.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)