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Correio da Manhã

Economia
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Futebol zangado com Fisco

Existem desvios no pagamento das verbas do totonegócio em praticamente todos os clubes. As verbas contratadas para o pagamento das dívidas ao Fisco e à Segurança Social têm vindo a diminuir de ano para ano. Em 1999, as vendas do totobola somavam 15,2 milhões de euros, enquanto em 2003, essas mesmas vendas foram de 8,7 milhões de euros. Esta quebra comprometeu, decisivamente, os pagamentos acordados no âmbito do totonegócio.
12 de Dezembro de 2004 às 00:00
Seis anos depois, os clubes continuam sem dinheiro para pagar
Seis anos depois, os clubes continuam sem dinheiro para pagar FOTO: António Cotrim
Gilberto Madaíl garantiu ontem ao CM que a Federação Portuguesa de Futebol, que juntamente com a Liga representou os clubes quando foi assinado o totonegócio em 1998, não sabe qual a evolução dos pagamentos das dívidas (ao Fisco e à Segurança Social). “Nunca mais fomos informados de nada. É lamentável que a FPF e a Liga, que andaram a negociar com o Governo para tentar resolver a situação, nunca mais tenham sido tidas nem achadas”, afirmou o líder federativo, considerando que o Estado não tem agora legitimidade para exigir que os clubes paguem: “Seria incompreensível que, depois de todo este tempo sem prestar informações sobre o evoluir da situação, o Governo viesse agora notificar os clubes. Isso iria criar um problema muito complexo”.
Ciente de que as verbas do totobola desceram muito, Madaíl descarta contudo responsabilidades: “Sabemos que as receitas do totobola baixaram, mas quem fez as previsões das receitas foi o próprio governo da altura. E o que têm feito os sucessivos governos para potenciar o totobola? Nada. Se calhar, parte das receitas da raspadinha, do totoloto ou do loto 2 também deveriam ser utilizadas para resolver o problema”.
Madaíl diz que não foi convocado para uma reunião destinada a fazer o ponto da situação, conforme ficou estabelecido que aconteceria ao fim de seis anos: “Não houve ainda nenhum contacto, o que muito nos surpreende”.
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