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Correio da Manhã

Economia
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Gestores de conta com apoio jurídico

Seis funcionários do Banco Privado Português (BPP) estão a receber apoio jurídico e psicológico do Sindicato dos Nacional dos Quadros Técnicos Bancários, no seguimento das queixas apresentadas ao Ministério Público pelos clientes do banco.
20 de Maio de 2009 às 00:30
Afonso Diz, presidente do sindicato, acredita que os funcionários “não sabiam que estavam a vender gato por lebre [aos clientes do Privado]”
Afonso Diz, presidente do sindicato, acredita que os funcionários “não sabiam que estavam a vender gato por lebre [aos clientes do Privado]”

A revelação foi ontem feita pelo presidente do sindicato, Afonso Diz, que confirmou ainda que os trabalhadores "estão a sofrer pressões para assinar papéis que não passaram pela mão deles". "As chefias intermédias estão a fazer esse tipo de pressão", avançou o responsável.

Para Afonso Diz, "se houve esquema piramidal [no BPP] foi praticado ao nível do topo, e não houve percepção dos funcionários". "Não acreditamos que ao nível do ‘front office’ [atendimento ao público] alguma vez se tenha sentado alguém do private banking que soubesse que estava a vender gato por lebre."

O presidente do sindicato não tem dúvidas de que "qualquer instituição funciona hierarquicamente", pelo que "as decisões foram tomadas ao nível do topo". E acrescenta que "há pessoas com graves distúrbios psicológicos" entre os quadros do BPP, resultando do facto de serem "apontados como os maus da fita".

Certo é que, ao que o CM apurou, as queixas-crime apresentadas pelos clientes versam, entre outros, os crimes de burla agravada, abuso de confiança e infidelidade.

Afonso Diz entende que o Estado não deve deixar cair o banco e colocar no desemprego os 220 funcionários que nele trabalham. Para o presidente do sindicato, o Governo pode optar por duas vias: injectar dinheiro no BPP através de empréstimos, transformando essa participação em capital social, ou conceder empréstimos de médio e longo prazos, com prazos de vencimento assegurados pelos accionistas.

"Porque não há-de o Estado ter participação qualificada em bancos?", questiona Afonso Diz.

PORMENORES

PATRIMÓNIO REAVALIADO

Segundo Afonso Diz, já foram feitas pela actual administração do BPP quatro reavaliações do património do banco.

INVESTIGAÇÃO DEMORA

O sindicato diz que a investigação ao caso BPP "se está a arrastar para além do razoável". "Ainda não há arguidos e o banco já está condenado em praça pública."

AUDIÇÃO COM CAVACO

O sindicato pediu uma audição com o Presidente da República para expor a situação dos 220 funcionários do BPP.

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