Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
9

“Gostaria de um plano Barroso para a Europa”

Faria de Oliveira, Presidente da Associação Portuguesa de Bancos, sobre acordo para reabilitação urbana em Lisboa
6 de Novembro de 2012 às 01:00
“Gostaria de um plano Barroso para a Europa”
“Gostaria de um plano Barroso para a Europa” FOTO: DR

Correio da Manhã – Como vão os bancos facilitar crédito para reabilitação urbana, quando há dificuldade no acesso ao crédito à habitação?

Faria de Oliveira – À Banca compete analisar, em função dos potenciais compradores, a sua capacidade financeira para fazerem face ao serviço da dívida. Trata-se em primeiro lugar de uma análise de risco, mas a intenção é colaborar activamente num programa que tem imenso mérito.

– Mas vai ter juros mais baixos para quem entre no programa?

– Não há bonificações de juros para este tipo de programa, e os juros serão definidos por cada instituição em função do risco. Mas há cada vez mais uma necessidade de ajustar o preço, isto é, a taxa de juro, ao risco dos clientes.

– Acredita num segundo resgate para Portugal?

– De todo. Neste momento o que temos de fazer é mostrar uma capacidade de realização do programa de ajustamento e procurar complementos ao que está em vigor, designadamente os que têm a ver com o crescimento da economia. Os países sujeitos a programas de estabilidade deveriam ter possibilidade de ter programas complementares para ajudar o crescimento. Há quem lhe chame programa Marshall, programa Merkel, eu gostaria de lhe chamar programa Durão Barroso.

– O que lhe parece o pedido de mais cinco anos de austeridade na Europa?

– A despesa pública tem três componentes fundamentais: a corrente; a de capital; e os juros. Se pedir mais financiamento ou mais prazo, há que estudar os impactos que isso tem nos juros. Nenhuma solução acontece por milagre, temos de encontrar as melhores para conciliar dois aspectos fundamentais: ultrapassar dificuldades económicas da reestruturação financeira; e conseguir uma sustentabilidade do ponto de vista da coesão social e da coesão política.

Ver comentários