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Correio da Manhã

Economia
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Governo francês aumenta impostos

O Governo francês anunciou esta quarta-feira um aumento de impostos "concentrado em 2012 e 2013", que deverá permitir ao Estado arrecadar mais de 13 mil milhões de euros, e revelou ainda que congelará 1,5 mil milhões de euros de despesas.
4 de Julho de 2012 às 16:03
Pierre Moscovici anuncia novas medidas de austeridade para 2012 e 2013
Pierre Moscovici anuncia novas medidas de austeridade para 2012 e 2013 FOTO: Nicolas Bouvy/Epa

O ministro das Finanças, Pierre Moscovici, prometeu que o esforço fiscal agora pedido aos franceses visará, em primeiro lugar, "as famílias com maiores rendimentos e as grandes empresas", num espírito de "equidade" e "justiça". A carga tributária passará de 43,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011 para 46,2 por cento em 2013.

Entre as principais medidas hoje anunciadas está uma sobretaxa "excepcional" a aplicar aos contribuintes que pagam o imposto de solidariedade sobre a fortuna (ISF), e que deve permitir ao Governo arrecadar 2,3 mil milhões de euros ainda este ano.

Estão também previstas taxas especiais sobre os sectores bancário e petrolífero. As doações e as grandes heranças terão um imposto mais pesado a partir dos 100 mil euros, contra os perto de 160 mil euros anteriormente estabelecidos.

Para além disso, o Governo anunciou o fim do lema "trabalhar mais para ganhar mais", bandeira do ex-Presidente Nicolas Sarkozy, decidindo que a isenção de encargos sociais nas horas de trabalho extraordinárias será suspensa nas empresas com mais de 20 empregados.

O executivo prevê ainda exigir uma contribuição adicional, de 0,3 por cento, sobre os dividendos das empresas distribuídos aos seus accionistas.


Um dia depois de, pela voz do primeiro-mistro, Jean-Marc Ayrault, o Governo ter apelado para a "mobilização" dos franceses para que o país consiga ultrapassar a crise económica, o executivo apresentou hoje um orçamento rectificativo para 2012, detalhando diversas medidas que pretende adoptar para que o país consiga cumprir os compromissos de redução do défice, apesar das sucessivas revisões em baixa do crescimento económico. O objectivo é também afastar a ameaça de uma degradação da imagem da França nos mercados financeiros.

O Governo reiterou a promessa de campanha do Presidente, François Hollande, de ter as contas do país equilibradas em 2017, mas reviu em alta os valores da dívida pública, que deverá, em 2013, atingir o valor recorde de 90,6 por cento do PIB, antes de recuar para os 82,4 por cento em 2017.

Segundo o Tribunal de Contas francês, o executivo vai precisar, ainda este ano, de entre seis mil milhões e 10 mil milhões de euros - entre novas receitas fiscais e economias suplementares - para conseguir reduzir o défice dos 5,2 por cento do PIB em 2011 para os 4,5 por cento em 2012.

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