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Correio da Manhã

Economia
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GOVERNO ITALIANO SALVA PARMALAT

O governo italiano, liderado pelo conservador Silvio Berlusconi, aprovou esta terça-feira um decreto de emergência que estipula novas regras para salvar grandes empresas da falência. O destinatário é o grupo Parmalat, protagonista de um dos maiores escândalos financeiros na Europa, com um ‘buraco’ de pelo menos 4 mil milhões de euros e uma queixa judicial feita pelo Banco da América, por falsificação de documentos.
23 de Dezembro de 2003 às 17:16
A Parmalat emprega 35 mil pessoas em 30 países e compra oito por cento de todo o leite produzido em Itália, onde é a oitava maior empresa. O grupo tinha até à sexta-feira passada um valor de mercado de 1,8 mil milhões de euros, mas as suas acções, que só ontem desvalorizaram 63%, valem quase nada e foram esta terça-feira suspensas da negociação. O governo convocou ainda para hoje um gabinete interministerial de crise, destinado a analisar a situação dos pequenos accionistas da Parmalat.
Também esta terça-feira, o Banco da América (Bank of America) apresentou queixa contra a Parmalat, num tribunal em Milão, devido a falsificação de documentos no âmbito do escândalo financeiro em que a empresa se afundou e que, segundo alguns analistas, pode vir a revelar um ‘buraco’ de até 10 mil milhões de euros.
O império Parmalat tremia há semanas, mas a ‘machadada’ definitiva foi dada na passada sexta-feira, pelo Banco da América, ao recusar documentos apresentados pela filial do grupo italiano Bonlat, com sede fiscal nas Ilhas Caimão, que pretendiam atestar a posse de 3,95 milhões de euros em dinheiro e garantias financeiras. De acordo com fontes judiciais, está já provado que os documentos da Bonlat foram falsificados e, ao que tudo indica, isso era prática comum. Há já duas dezenas de pessoas indiciadas no processo judicial, incluindo Calisto Tanzi, o fundador do grupo, o seu irmão e o seu filho e ainda três antigos directores financeiros.
Durante o fim-de-semana, Berlusconi anunciou que iria salvar a Parmalat da falência, até por que esse desmoronamento, dada a dimensão do grupo, desencadearia ondas de choque lesivas para toda a economia italiana. Em Conselho de Ministros, hoje, o governo italiano aprovou um projecto para salvar a Parmalat (ou outras grandes empresas) da falência e decidiu ainda pedir autorização à Comissão Europeia para ajudar os produtores do sector, a quem a Parmalat deve 120 milhões de euros.
O decreto de emergência prevê a instalação rápida de uma administração de salvamento, liderada por um comissário nomeado pelo governo. O expediente permite manter a empresa em funcionamento, sob rigorosa supervisão governamental, ultrapassando os habituais obstáculos burocráticos em processos de insolvência. A nova administração da Parmalat reúne ainda hoje, ao final da tarde.
BERLUSCONI APROVEITA BOLEIA
Á sombra do escândalo do gigante do sector agro-alimentar, o governo italiano aprovou, também hoje, um decreto de emergência para salvar uma estação televisiva do império empresarial da família Berlusconi.
Na semana passada, o presidente italiano, Carlo Azeglio Ciampi, decidiu não ratificar uma nova lei para a comunicação social em Itália, que aliviaria os limites de propriedade e serviria as necessidades da televisão Rete 4, do grupo Mediaset, propriedade da família Berlusconi. A Rete 4 é um dos três canais televisivo em Itália controlados por Berlusconi.
Por ordem de um tribunal, a Mediaset estava obrigada a alterar o sistema de transporte de sinal televisivo da Rete 4, de emissores para satélite. A Mediaset alegou que tal mudança levaria a empresa à falência. O decreto de emergência hoje aprovado, pura e simplesmente, bloqueia essa ordem do tribunal.
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