Companhia aérea "tem tido um papel fundamental na economia portuguesa, promovendo a sua internacionalização".
O Governo mantém a previsão de injetar este ano até 990 milhões de euros na TAP, esclareceu o ministro das Finanças, Fernando Medina, na conferência de imprensa de apresentação do Orçamento do Estado de 2022 (OE2022).
Questionado sobre a existência, no documento, de dois valores para a injeção na TAP em 2022, de 990 milhões de euros e de 600 milhões de euros, o governante indicou que este último montante "é o valor em contas nacionais, porque há uma parte deste valor que já foi contabilizado no défice e não será de novo contabilizado no défice".
"O que este orçamento prevê é o pagamento do compromisso do plano de reestruturação que, aliás, está a fazer o seu caminho, e continuaremos através desta transferência a fazer o caminho da reestruturação da TAP", garantiu.
A TAP teve um prejuízo de quase 1600 milhões de euros no ano passado, apesar do aumento do número de passageiros transportados e das receitas relativamente ao ano anterior, segundo comunicou a empresa, esta segunda-feira.
Na informação enviada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a transportadora aérea nacional explica que registou custos não recorrentes de 1024,9 milhões - por exemplo, com o encerramento das operações de manutenção no Brasil - que tiveram impacto nos resultados.
No relatório que acompanha o OE2022, o Governo sublinhou que "a TAP tem tido um papel fundamental na economia portuguesa, promovendo a sua internacionalização, seja pela sua atividade como transportadora de bens e serviços - tendo em 2019 transportado cerca de 4 milhões de turistas não residentes com estadia em Portugal cujo valor de gastos estimado se situa entre os 1,3 e os 1,6 mil milhões de euros -, seja pela prestação de serviços de manutenção e engenharia (de qualidade reconhecida a nível mundial), tendo, em 2019, gerado um impacto na economia de cerca de 2,5 mil milhões de euros e de 1,1 mil milhões de euros em termos de finanças públicas".
Além disso, destacou, "era responsável por 1 a 1,2% do PIB nacional, contribuindo também para o equilíbrio da balança comercial nacional, com 2,6 mil milhões de euros em exportações, e evitando 700 milhões de euros em importações (valor das passagens adquiridas à TAP por residentes), o que representava cerca de 3% do total das exportações de bens e serviços nacionais".
A TAP "contribui ainda para a economia nacional ao comprar anualmente mais de mil milhões de euros de bens e serviços a mais de 1300 fornecedores nacionais, ligados à presença do 'hub' da TAP em Portugal, dinamizando a atividade económica e o emprego", salientou.
O ministro das Finanças entregou hoje, no parlamento, a proposta de OE2022, a primeira do terceiro executivo liderado por António Costa e que é suportado por uma maioria absoluta do PS na Assembleia da República.
O OE2022 vai ser votado na generalidade dia 28 e 29 de abril, num processo que culminará na votação final global em 27 de maio, decidiu esta quarta-feira a conferência de líderes.
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