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Correio da Manhã

Economia
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Governo não se esforçou

A maioria dos portugueses acha que o Governo podia ter feito mais para evitar o fecho da fábrica da General Motors (GM), onde é produzido o Opel Combo, na Azambuja, previsto para o final do ano, revela uma sondagem Correio da Manhã/Aximage.
27 de Julho de 2006 às 00:00
Acção governamental no caso GM insatisfaz os portugueses
Acção governamental no caso GM insatisfaz os portugueses FOTO: António Cotrim, Lusa
Segundo o estudo, 60,7 por cento dos portugueses considera que o Governo se poderia ter esforçado mais. Apenas 21,5 por cento dos inquiridos se mostraram satisfeitos com a acção do Executivo liderado por José Sócrates.
A insatisfação é maior entre os eleitores que votaram Bloco de Esquerda nas últimas eleições – 92,2 por cento defende que o Governo poderia ter feito mais. O que mais surpreende, porém, é que os socialistas estão entre os mais desiludidos.
Foram quase 62 por cento os inquiridos que votaram PS nas últimas legislativas e consideram que não foi feito o suficiente para manter a fábrica da Opel na Azambuja. Pelo contrário, apenas 60,3 por cento dos eleitores que votaram PSD e 52,4 por cento daqueles que votaram CDS/PP afirmaram que o Executivo podia ter feito mais.
A unidade da GM na Azambuja tem encerramento marcado para Dezembro próximo, deixando 1100 trabalhadores no desemprego. Menos prejudicados vão ficar os fabricantes de componentes para automóveis, uma vez que vão passar a fornecer a fábrica da marca em Saragoça, para onde vai ser transferida a produção do Combo.
Segundo a GM, esta transferência de produção fica a dever-se ao facto de a manutenção da fábrica da Azambuja implicar uma perda operacional próxima dos 35 milhões de euros por ano.
O Governo já fez saber que vai processar a General Motors, uma vez que o contrato com o fabricante automóvel era válido até ao final de 2008.
SONDAGEM CM: ENCERRAMENTO DA FÁBRICA DA OPEL NA AZAMBUJA
Agora já há a certeza de que a fábrica da Opel na Azambuja vai fechar no fim deste ano. Quanto ao que o Governo português fez para evitar o fecho desta fábrica, acha que:
Fez tudo o que podia: 21,5%
Podia ter feito mais: 60,7%
Sem opinião: 17,8%
FICHA TÉCNICA
OBJECTIVO: Encerramento da Opel Azambuja.
UNIVERSO: Eleitores residentes em Portugal em lares com telefone fixo.
AMOSTRA: Aleatória estratificada por região, sexo, idade, actividade, instrução e voto legislativo, polietápica e representativa do universo, com 550 entrevistas telefónicas (289 a mulheres).
COMPOSIÇÃO: Proporcional pela variável estratificação.
RESPOSTAS: Taxa de resposta de 69,1%. Desvio padrão máximo de 0,02.
REALIZAÇÃO: 17 a 19 de Julho para o Correio da Manhã pela Aximage, com a direcção técnica de Jorge Sá.
RESCISÕES DÃO PREJUÍZO
A General Motors reportou ontem um prejuízo de 2,5 mil milhões de euros no segundo trimestre do ano devido à despesa relacionada com a redução de pessoal. O maior fabricante automóvel a nível mundial registou um prejuízo de 4,5 euros por acção depois de ter gasto 2,9 mil milhões de dólares em indemnizações e reformas antecipadas de trabalhadores.
Excluindo os encargos com redução de pessoal, a empresa registou ganhos de 950 milhões de euros , superando as estimativas dos analistas. Isto demonstra que, excluindo os gastos extraordinários, as operações globais de automóveis tiveram o seu primeiro lucro desde 2004.
À MARGEM
SURPREENDIDO
O Governo, através do ministro da Economia, Manuel Pinho, afirmou-se publicamente surpreendido pela decisão da General Motors de encerrar a fábrica da Azambuja. Pinho revelou ter mantido várias reuniões com os responsáveis da GM, nas quais foi oferecido “um conjunto de soluções sérias” com vista a melhorar a rentabilidade da fábrica.
INCENTIVOS
O contrato para a manutenção da unidade fabril na Azambuja - válido até final de 2008 - inclui a concessão de incentivos financeiros, fiscais e fundos de apoio à formação profissional, na ordem das dezenas de milhões de euros. Parte destes incentivos são financiados pelos fundos da União Europeia.
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