Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
4

Governo salva retorno absoluto

O Estado prepara-se para salvar as poupanças dos clientes do Banco Privado Português (BPP). A solução está a ser ultimada entre o Ministério das Finanças e a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e passa pela criação de um veículo financeiro que junte todas as aplicações do chamado retorno absoluto. Este fundo será gerido pela instituição financeira que oferecer as melhores condições, à qual será dada garantia do Estado.
13 de Maio de 2009 às 00:30
Clientes do BPP serão pagos através de um fundo gerido por um banco com o aval do Estado
Clientes do BPP serão pagos através de um fundo gerido por um banco com o aval do Estado FOTO: Vítor Mota

A gestão do fundo será até 2027, altura em que vencem os últimos activos, e será pago um juro anual aos depositantes. O Governo e a administração do BPP esperam que, nessa data, a valorização dos activos (dois terços dos quais são obrigações de bancos da OCDE, entre os quais a Caixa Geral de Depósitos) dê para pagar a todos os clientes do BPP.

Uma vez resolvida a questão do retorno absoluto, que consumiu 524 milhões de euros de provisões ao BPP, o banco apenas terá de lidar com as imparidades, que a 31 de Dezembro de 2008 somavam cerca de 200 milhões de euros. A maior parte destes incobráveis está relacionada com empréstimos concedidos à Privado Holding, dona do banco e que agrupa os accionistas de referência, como Stefano Saviotti, Diogo Vaz Guedes e Pinto Balsemão. Também em relação a estas imparidades será possível recuperar algum dinheiro com a valorização dos mercados de capitais.

A duração do fundo e o período de reembolso são as questões que dividem os clientes do banco. Em reunião recente com a administração, os clientes chegaram a receber a indicação de que o reembolso seria feito em apenas quatro anos.

Ontem mesmo, vários depositantes do movimento ‘Retorno Absoluto’, criado pelos clientes que na semana ocuparam as instalações do BPP do Porto, recusaram a criação do megafundo, segundo Durval Padrão. "O megafundo está fora de questão", disse o porta-voz do movimento após a reunião com o Bloco de Esquerda no Parlamento.

LOUÇÃ FALA EM MEGAFRAUDE NO CASO BPP

O movimento ‘Retorno Absoluto’, que junta clientes que invadiram a sede do BPP no Porto, reuniu-se ontem na Assembleia da República com deputados do Bloco de Esquerda e do PS. No final do encontro, Francisco Louçã, líder do BE, considerou que houve uma "megafraude" no caso BPP. O deputado quer assim saber onde foram aplicados os 450 milhões de euros do empréstimo ao banco, com aval estatal. Louçã exigiu ainda a execução das garantias de 672 milhões de euros se não houver devolução do empréstimo no prazo acordado.

PORMENORES

REUNIÃO A NORTE

A administração do BPP e duas dezenas de clientes, em que se incluem membros da comissão de acompanhamento, reuniram-se ontem no Porto para analisar a situação do banco.

ACÇÃO DE SAVIOTTI

João Rendeiro garantiu ao CM que João Saviotti desmentiu estar a liderar um grupo de accionistas que pretendia processá-lo. "Já foi desmentido pelo próprio Stefano Saviotti, mas não lhe posso dizer mais nada", afirmou.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)