"Preços dos alimentos e da energia estavam em tendência de alta antes do início da guerra, mas a guerra colocou achas na fogueira", afirmou Vítor Gaspar,
O diretor de assuntos orçamentais do FMI, Vítor Gaspar, alertou esta quarta-feira que a guerra na Ucrânia está a ter impacto nos preços da energia, salientando que os governos estão sob pressão para implementar medidas de alívio aos cidadãos.
"Há duas consequências económicas globais da invasão da Ucrânia pela Rússia que se tornaram prementes: preços elevados dos alimentos e preços elevados da energia. Os preços dos alimentos e da energia estavam em tendência de alta antes do início da guerra, mas a guerra colocou achas na fogueira", afirmou esta quarta-feira Vítor Gaspar, em conferência de imprensa, no âmbito da apresentação do Monitor Orçamental.
Segundo o ex-ministro das Finanças português, os elevados preços da energia apresentam características diferentes dos também elevados preços dos alimentos.
"Os governos estão sob pressão para dar alívio aos cidadãos, mas a resposta política precisa considerar não apenas as restrições orçamentais, mas também a crise climática iminente", disse.
Para Vítor Gaspar são necessárias "políticas cuidadosamente calibradas" para aliviar o impacto da alta de preços sobre as pessoas e empresas vulneráveis, ao mesmo tempo que atuam de forma eficaz, com vista às metas de 2030.
O diretor de assuntos orçamentais do FMI destacou que os choques dos preços de alimentos estão a afetar todos os países, mas estão a ameaçar particularmente as famílias e países de baixos rendimentos.
Alertou que esses países têm menos espaço orçamental para enfrentar o choque e são particularmente vulneráveis, sublinhando que a parcela dos gastos das famílias com alimentos chega a 60% em alguns destes países.
"Os governos devem cumprir o papel especial de proteger a população", disse, sobretudo da fome.
Para o responsável do FMI, a combinação certa de políticas depende das circunstâncias do país, mas defendeu que sempre que possível, estes devem fazer transferências direcionadas e temporárias aos vulneráveis, permitindo que os preços se ajustem, o que irá ajudar a estimular a oferta adicional e evitar a escassez.
No entanto, acrescentou que nos países onde as redes de segurança social e sistemas de informação são menos completos, podem ser consideradas outras medidas, desde que sejam tão direcionadas quanto possível e devem incluir cláusulas de caducidade claras.
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