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Correio da Manhã

Economia

Granadeiro defende mais tempo e mais dinheiro

O presidente do conselho de administração do Grupo PT, Henrique Granadeiro, defendeu esta segunda-feira, em Santarém, que Portugal precisa de mais tempo, mais dinheiro e de taxas muito mais favoráveis para retomar uma trajectória de crescimento.
5 de Novembro de 2012 às 21:09
Henrique Granadeiro falou numa sessão com estudantes da Escola Superior de Gestão e Tecnologias de Santarém
Henrique Granadeiro falou numa sessão com estudantes da Escola Superior de Gestão e Tecnologias de Santarém FOTO: Cátia Barbosa/Jornal de Negócios

Henrique Granadeiro falava numa sessão com estudantes da Escola Superior de Gestão e Tecnologias de Santarém promovida pelo semanário regional O Mirante, no âmbito das comemorações do seu 25.º aniversário. Convidado para falar sobre o futuro da Europa, o presidente do conselho de administração do Grupo PT começou por afirmar que a crise europeia "não faz sentido" e que é "difícil perceber porque não está a ser atacada com medidas que visem o desenvolvimento".

Em relação ao caso português, Granadeiro atacou os "mitos" que atribuem ao país uma imagem de desperdício e preguiça e de que os períodos áureos se deveram sempre a factores externos, como o ouro do Brasil ou os euros da Europa.

O presidente da PT afirmou que mesmo a apregoada "chuva de euros" não tem correspondência na realidade, pois Portugal apenas recebeu da Europa o correspondente a 7% do investimento total que fez desde a adesão à União Europeia, ou seja 5.000 milhões de 682,6 mil milhões investidos.

"É muito difícil sustentar a visão de que a adesão à União Europeia foi terra de leite e mel que não soubemos aproveitar", disse, frisando que a Europa não tem tido a capacidade de produzir políticas de apoio à eliminação das assimetrias, que tem defendido em vários tratados.

No seu entender, "o problema português não é só português" e não pode ser resolvido só por Portugal. "Não é solúvel num quadro de curto prazo como o que está plasmado no acordo com a 'troika'", disse, sublinhando que a refundação do memorando "ou o que lhe queiram chamar" implica "mais tempo, mais dinheiro e condições financeiras muito mais baratas".

Henrique Granadeiro lembrou que já foi conseguida uma redução nas taxas que estavam consagradas no "acordo de agiotas" assinado inicialmente.


Referiu, em particular, as taxas "impensáveis" cobradas pelo Banco Central Europeu à banca, impossibilitando o financiamento da economia, "castrando" a possibilidade de impulsionar o crescimento económico.

Olhando para a situação interna, Granadeiro mostrou aos jovens estudantes a correlação entre os ciclos políticos e o desenvolvimento da economia, com os ciclos curtos a corresponderem a períodos de estagnação ou decréscimo e os longos a um crescimento acentuado. "Mais do que um problema económico é um problema político", afirmou.

Para Henrique Granadeiro, o problema não é o de existir mais ou menos despesa pública, mas é o de haver uma melhor gestão da despesa do Estado. Como bom exemplo, apontou o trabalho que está a ser desenvolvido pelo ministro da Saúde, Paulo Macedo, lamentando que seja "o único".

Henrique Granadeiro deixou aos jovens uma palavra de optimismo, pedindo que cada um se interrogue e assegurou que, pela sua parte, não faz parte do "país da crise" mas sim do que "quer vencer a crise".

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