A greve de três dias dos trabalhadores da Galp Energia, que começa na segunda-feira, para "defender os direitos dos trabalhadores" deverá ser "uma das maiores de sempre" no grupo, disse à Lusa Armando Farias, dirigente da Fiequimetal.
De acordo com o coordenador da Fiequimetal, a paralisação tem como objectivo "a defesa dos direitos dos trabalhadores", numa altura em que "a empresa quer tirar direitos aos trabalhadores sobretudo aos que estão na contratação colectiva, o que é inaceitável" e resulta da aplicação do novo Código do Trabalho.
A greve pretende também contestar "o aumento da comparticipação do regime do seguro de saúde, com um agravamento significativo das comparticipações a cargo dos trabalhadores", explicou Armando Farias.
De acordo com o dirigente sindical, o impacto da greve deverá ser mais sentido nas refinarias de Sines e de Matosinhos e admitiu que o combustível possa esgotar em alguns postos de abastecimento, afastando no entanto a hipótese de "ruptura".
"Tudo indica que vamos ter uma das maiores greves de sempre na empresa e entendemos que a administração deveria sentar-se à mesa, negociar e encontrar uma solução, que passa por manter os direitos dos trabalhadores", declarou.
Contactada pela Lusa, fonte oficial da petrolífera nacional disse à Lusa que "a Galp está a tomar medidas para que o impacto seja o menor possível e que não seja interrompido o normal abastecimento do país".
Armando Farias explicou que "a experiência de greves com uma duração maior é que há postos de abastecimento que esgotam, mas isso não significa uma rutura no abastecimento" até porque, realçou, "há hoje uma diminuição significativa do consumo".
A greve, que começa às 0:00 de segunda-feira na refinaria de Sines e às 06:00 na refinaria de Matosinhos, abrange todas as empresas do grupo liderado por Ferreira de Oliveira.
Esta paralisação pretende também retomar o protesto contra a atualização salarial de "apenas" um por cento, ocorrida no início do ano, quando, no primeiro semestre, a empresa teve um lucro de cerca de 200 milhões de euros.
"Os custos com os salários dos administradores atingiram os 3,7 milhões de euros, isto é, aumentaram mais de 30 por cento", criticou.
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