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Correio da Manhã

Economia
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Greve dos estivadores do porto de Lisboa prolongada

O presidente do Sindicato dos Estivadores do Centro e Sul de Portugal, António Mariano, anunciou nesta sexta-feira que a greve dos estivadores do porto de Lisboa, que dura desde junho, vai prolongar-se até 18 de setembro.   
2 de Agosto de 2013 às 18:34

Em declarações aos jornalistas durante a hora de paralisação, António Mariano afirmou que os trabalhadores vão continuar em protesto contra o que consideram ser "violações da lei" por parte dos operadores, que "estão a tentar substituir os estivadores por elementos estranhos, de empresas subcontratadas para fazer o trabalho de descarga dos contentores".

À Lusa, o diretor executivo da Associação dos Agentes de Navegação de Portugal (AGEPOR), António Belmar da Costa, lembrou que a lei foi alterada, restringindo o universo de trabalho considerado portuário, e que a situação que os trabalhadores descrevem é, em princípio, legal.

Contudo, considerou, "se os estivadores entendem que há violações da lei, devem recorrer aos mecanismos legais".

Aos argumentos que justificam o protesto, acrescentou António Mariano, junta-se ainda o facto de ter havido, nos últimos meses - e numa altura em que, diz, o trabalho tem aumentado - cerca de 50 despedimentos no porto de Lisboa.

O sindicalista acrescentou que o sindicato propôs aos operadores do porto "várias datas para reuniões", mas disse que recebeu como resposta que "as empresas dizem que não reúnem debaixo de pré-avisos de greve".

No entanto, considerou, "não há outra hipótese". Na sua análise, "está aqui criado um círculo vicioso", porque os trabalhadores "não podem estar a trabalhar normalmente quando há elementos estranhos a trabalhar no meio das operações, com todos os riscos que isso tem para a atividade dos estivadores".

"É DE LAMENTAR"

Para o diretor executivo da AGEPOR, António Belmar da Costa, este prolongamento da greve "é de lamentar", porque "a paralisação está a fazer mal ao porto de Lisboa e à economia portuguesa".

Quanto à possibilidade de esta greve - que continuará a ser de uma hora por dia útil, entre as 15h00 e as 16h00 - ter um impacto negativo na economia, António Mariano considerou que, "se há prejuízos, é porque o Porto de Lisboa não tem os trabalhadores suficientes para poder operar".

"Os trabalhadores são obrigados a trabalhar dois/três turnos por dia, impedidos de ir de férias em agosto, se mesmo assim os navios se estão a desviar, a responsabilidade não é nossa. Estamos a trabalhar 23 horas por dia", acrescentou.

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, que esteve no porto de Lisboa para apoiar este protesto, afirmou que "o que está aqui a ser preparado é um retorno à praça de jorna".

"Como há muito desemprego, a Administração do Porto de Lisboa e as empresas que aqui laboram estão a tentar afastar compulsivamente os trabalhadores com contrato e a colocar nos próximos tempos milhares de trabalhadores à porta todos os dias, a oferecerem-se para trabalhar, e a trabalharem por aquilo que lhes quiserem pagar", argumentou.

Arménio Carlos considerou ainda que é possível resolver este impasse rapidamente, desde que "o Governo, em vez de continuar numa postura afastada, e sobretudo comprometida com o poder económico e financeiro, se disponibilize a ouvir os trabalhadores e a procurar uma solução entre o sindicato e as entidades que gerem o Porto de Lisboa".

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