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Correio da Manhã

Economia
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GREVE ENCERROU A BOLSA

A Eunonext Lisboa esteve ontem fechada, devido ao êxito da greve dos trabalhadores da Interbolsa, entidade que regista as operações efectuadas no mercado de capitais. O sistema alternativo não funcionou e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) já responsabilizou a Interbolsa pela situação.
12 de Julho de 2002 às 21:49
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública (Sintap), que convocou a paralisação, apenas sete dos 44 trabalhadores da empresa e alguns directores e assessores compareceram ontem ao trabalho, tendo os restantes aderido a uma greve que durará por tempo indeterminado.

A CMVM, entidade supervisora do mercado de capitais, responsabilizou entretanto a administração da Interbolsa pela paragem na Euronext Lisboa e pelo não funcionamento do sistema alternativo, tendo criado uma situação que todos (desde corretores a pequenos accionistas) consideram que gera elevados prejuízos, além de abalar a confiança dos investidores.

“O conselho de administração da Interbolsa colocou expressamente em vigor os procedimentos de contingência” regulamentares, de forma a assegurar o funcionamento dos sistemas de liquidação por si geridos, mas na madrugada de ontem, “de forma completamente inesperada e sem que a CMVM tivesse sido ouvida”, os responsáveis da empresa entenderam “utilizar o dia de hoje (ontem) não para cumprir os procedimentos a que se tinha obrigado, mas para fazer aquilo a que chamou um período de programação mais extenso”, pode ler-se num comunicado divulgado pela entidade supervisora da Bolsa.

Assim, a CMVM exigiu “a prestação de esclarecimentos e está a acompanhar empenhadamente a situação”. A Interbolsa, por seu turno, garante que o sistema alternativo estará apto na segunda-feira, pelo que a greve já não deverá afectar o normal funcionamento do mercado.

Para os sindicalistas, o facto de a Bolsa ter ficado ontem encerrada é a prova de que os trabalhadores da Interbolsa são indispensáveis, dado que são de “elevada tecnicidade e, faltando, causam logo problemas no funcionamento do sistema”, como referiu, em conferência de Imprensa, o vice--secretário-geral do Sintap, José Abraão, ao acrescentar que as alternativas “nunca” foram testadas.

Refira-se que as divergências entre os trabalhadores e a Interbolsa começaram no ano passado, na sequência de “um processo de despedimento colectivo e de esvaziamento de algumas funções”, o que levou, na altura, o sindicato a emitir um pré-aviso de greve. Entretanto, a administração da empresa mostrou alguma disponibilidade para negociar, tendo-se mais tarde responsabilizado por assegurar a manutenção dos postos de trabalho e definir um esquema de pré-reformas e reformas antecipadas.

Desde então passaram cerca de sete meses e, segundo José Abraão, “esta questão ainda está por resolver”. A administração da Interbolsa limitou-se, nas palavras do sindicalista, a apresentar uma proposta segundo a qual os trabalhadores em pré-reforma iriam receber uma média de 30 por cento do vencimento de que auferiam na empresa.
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