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Correio da Manhã

Economia
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Greve geral com impacto económico "completamente nulo"

O investigador António Costa Pinto considera que uma greve geral, como a que está a ser discutida pela CGTP e UGT, teria um impacto económico "completamente nulo" em Portugal, já que teria apenas um significado "simbólico" do descontentamento da sociedade.
17 de Outubro de 2011 às 11:37
Sociólogo acredita que uma greve geral teria impacto económico "completamente nulo" em Portugal
Sociólogo acredita que uma greve geral teria impacto económico 'completamente nulo' em Portugal FOTO: A-gosto.com

O professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa defende que "um dia de greve geral é completamente nulo em termos de impacto económico, é apenas simbólico", uma vez que "não contrariará em nada as medidas em curso, apenas demonstra descontentamento".

Os líderes da UGT e da CGTP têm marcada para esta segunda-feira uma reunião para debater a possibilidade de uma greve geral em resposta às medidas de austeridade anunciadas pelo Governo.

De acordo com o sociólogo António Costa Pinto, "se se fizer uma análise comparada das greves em Portugal, França, Itália ou Inglaterra, verifica-se que Portugal é um país de fraca conflitualidade social e também que é um país menos desenvolvido", o que quer dizer que, "no caso português, não há nenhuma relação negativa entre a taxa de greves e a diminuição da produtividade".

O investigador disse ainda que "é natural" que exista contestação social, face às medidas de austeridade.

"Se ela não existir, isto quererá dizer que a sociedade portuguesa confirma uma das suas características: a fraca dinâmica da sociedade civil e uma cultura de passividade como elemento dominante. Ou seja, caso não exista, não é porque a sociedade portuguesa, como corpo unido, concorde com a austeridade, é porque tem um escasso capital social e uma escassa dinâmica social", justificou António Costa Pinto.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, anunciou na quinta-feira que as medidas do Orçamento do Estado para 2012 passam pela eliminação do subsídio de férias e de Natal para os funcionários públicos e pensionistas que recebem mais de mil euros por mês, enquanto durar o programa de ajustamento financeiro, até ao final de 2013.

Os vencimentos situados entre o salário mínimo e os 1000 euros ficarão sujeitos a uma taxa de redução progressiva, que corresponderá em média a um só destes subsídios. As pensões acima do salário mínimo e abaixo de mil euros sofrerão, em média, a eliminação de um dos subsídios.

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