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Correio da Manhã

Economia
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Greve geral deverá paralisar o País

A CGTP e a UGT voltaram a surpreender o país em Outubro com a marcação de uma greve geral contra as medidas de austeridade, escolhendo exactamente a mesma data de 2010, 24 de Novembro, para o protesto conjunto. Confira os serviços afectados.
20 de Novembro de 2011 às 10:36
Transportes deverão parar no dia da greve
Transportes deverão parar no dia da greve FOTO: Correio da Manhã

Manuel Carvalho da Silva, da UGT, defendeu a necessidade de um protesto generalizado e convergente para a responder às novas medidas de austeridade, nomeadamente a sobretaxa a aplicar ao subsídio de Natal deste ano. O aumento do custo de vida, os cortes na saúde e na educação, o aumento dos impostos, a alteração da legislação laboral foram alguns dos motivos que levaram a CGTP a apostar na intensificação da luta.

Saúde

O adiamento de consultas e cirurgias programadas deverá ser a principal consequência da greve geral da próxima quinta-feira na área da saúde, com os sindicatos a esperarem uma "forte adesão" devido à "gravidade" das medidas anunciadas para o sector. Pilar Vicente, dirigente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), disse à Agência Lusa que é esperado "um impacto bastante grande" da greve e que, nesse dia, os serviços deverão funcionar como se fosse um dia feriado ou de fim-de-semana.

Educação

Os sindicatos da Educação confiam que a greve geral terá um forte impacto no sector, encerrando escolas, universidades, politécnicos e jardins-de-infância, contra as medidas de austeridade impostas pelo Governo. A Federação Nacional de Professores (FENPROF), a maior organização sindical do sector – representa docentes e investigadores do básico ao superior – tem feito veementes apelos para que encerrem todos os estabelecimentos, do pré-escolar às instituições de ensino superior.

SEF, polícia municipal e guardas prisionais

O controlo de passageiros nos aeroportos e portos marítimos deverá ser afectado pela adesão dos investigadores do SEF à greve, paralisação que também terá efeitos na fiscalização do trânsito devido à participação dos polícias municipais. Além dos investigadores do SEF e dos polícias municipais a greve geral também terá a adesão dos guardas prisionais. O presidente do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização  do SEF, Acácio Pereira, disse à Lusa que a adesão à greve terá consequências no controlo de entradas em Portugal, através dos aeroportos e vias marítimas, que será "diminuído", apesar de serem garantidos os serviços mínimos.

Para o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP), que também já anunciou que vai aderir à greve, a paralisação deverá afectar as saídas dos reclusos para o exterior, nomeadamente para os julgamentos, as consultas médicas não urgentes e os telefonemas que necessitam do controlo dos guardas.

Administração Local

O Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) afirma que "tudo indica" que a greve geral levará ao "maior encerramento de serviços na administração local", numa altura em que se impõe às autarquias a redução de funcionários. "Creio que será o maior encerramento de serviços na totalidade da administração local. Tudo indica nesse sentido", afirmou Francisco Bráz, presidente do STAL, considerando que "esta greve quer ser um grito de alerta muito forte, porque não é possível continuar a sacrificar os trabalhadores desta forma", quando no ano passado já não tiveram aumentos e alguns tinham já sofrido cortes salariais. Escolas, recolha do lixo, cemitérios, transportes urbanos em Coimbra, Braga, Aveiro e Barreiro e o apoio administrativo das autarquias são alguns dos serviços onde a greve pode ser mais notada.

Transportes

Os utentes dos transportes podem contar com dificuldades na próxima quinta-feira a concretizar-se a perspectiva da Federação dos Sindicatos dos Transportes (FECTRANS) que prevê uma adesão "muito elevada" à greve geral. "A julgar pela manifestação [de activistas e trabalhadores do sector dos transportes] de 20 de Outubro e pelas greves parciais em várias empresas a 8 de Novembro, perspectivamos que vai haver no transporte fluvial, rodoviário e ferroviário uma adesão muito elevada" à greve geral, disse à Lusa o coordenador FECTRANS, Amável Alves. O sindicalista afirmou que nas empresas do sector aéreo "também há uma boa mobilização".

Justiça

O presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) prevê uma "forte adesão" à greve geral de quinta-feira, superior aos "50 ou 60 por cento", registados na paralisação de há um ano, e que vai afectar o funcionamento dos tribunais. "Os motivos são os mesmos, acrescidos pela retirada dos subsídios de férias e de Natal", disse Fernando Jorge à agência Lusa, referindo-se à greve geral. Há um ano houve tribunais que funcionaram apenas com serviços mínimos, acrescentou.

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