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Correio da Manhã

Economia
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GUERRA POR PLANTA DE CAFÉ

A descoberta de uma planta de café naturalmente descafeínada está a entusiasmar a comunidade científica e industrial, pela oportunidade de entrada no mercado do café de um novo e lucrativo produto. Mas a planta foi descoberta na Etiópia, berço mundial do café, por um cientista brasileiro, o que está a provocar uma ‘guerra’ entre os dois países.
13 de Julho de 2004 às 19:17
Calcula-se que todo o café cultivado no Mundo seja derivado de um berço único, as florestas húmidas da região etíope de Kaffa. E foi na Etiópia que o cientista brasileiro Paulo Mazzaferra, da Universidade Estadual de Campinas, descobriu uma planta de café que tem um muito baixo teor de cafeína. O cientista fez a descoberta na década de oitenta e levou então com ele para o Brasil 6 mil amostras da planta, mas só fez o anúncio à comunidade científica na edição do mês passado do jornal “Nature”.
Sendo o café a base de um mercado global capaz de gerar receitas anuais superiores a 70 mil milhões de dólares e constituindo o chamado café descafeínado 10 por cento desse mercado, é fácil imaginar as vantagens comerciais deste planta, por ter o potencial de produzir um café naturalmente descafeínado, dispensando os métodos químicos agora usados para eliminar a cafeína no café. O problema é o mesmo de sempre: a quem pertencem as receitas, que é como quem diz, quem tem direitos de propriedade sobre a planta?
De acordo com as convenções internacionais que regulam a propriedade sobre plantas indígenas, a Etiópia tem vantagem jurídica, mas facto é que o cientista brasileiro recolheu as amostras antes da entrada em vigor dessas mesmas convenções e estas não têm efeitos retroactivos. Talvez por isso o governo etíope esteja agora a tentar uma solução de compromisso... talvez por isso o cientista brasileiro não queira comentar... talvez por isso alguns peritos tenham vindo já a público argumentar que não estão provadas as capacidades de cultivo industrial da nova planta.
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