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Correio da Manhã

Economia
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Há câmaras que não dão tolerância de ponto

Há câmaras municipais que não vão dar tolerância de ponto na tarde desta quinta-feira.
20 de Abril de 2011 às 19:00
Na vila de Penela esta quinta-feira vai ser dia normal de trabalho
Na vila de Penela esta quinta-feira vai ser dia normal de trabalho FOTO: d.r.

É o caso de Penela, em Coimbra, por entender que, na actual situação do País, "o melhor exemplo que pode dar é trabalhar".         

Tendo em conta "o estado de quase colapso financeiro em que o País se encontra, com o FMI a analisar todas as contas, a autarquia entende que o melhor exemplo que pode dar é trabalhar e, assim, contribuir activamente para melhorar a produtividade", é referido numa nota da Câmara.         

"A autarquia entende, na sua autonomia de funcionamento, que este deve ser o exemplo a dar", refere.          

A decisão, adianta, surge após o despacho publicado no Diário da República em que o Governo dá tolerância de ponto aos funcionários públicos durante o período da tarde de quinta-feira Santa.    

300 FUNCIONÁRIOS VÃO TRABALHAR

Para os 300 funcionários da Câmara  Municipal de S. João da Madeira também não há tolerância de ponto porque, segundo o presidente da câmara, o País não está em condições de "descurar o trabalho".  

"Na Câmara de S. João da Madeira vai-se trabalhar normalmente nesta quinta-feira e não haverá tolerância de ponto. Resolvemos tomar esta medida porque achamos que o País não tem condições de descurar o trabalho", revelou à Lusa Castro Almeida.  

De acordo com o autarca, é "tempo de trabalhar mais", já que os " sinais" que se têm que "dar ao País e ao Mundo são de que Portugal está na disposição de trabalhar e não procura férias, folgas ou pontes".  

Castro Almeida reconhece que a tolerância de ponto no período da Páscoa é uma medida habitual nas autarquias, mas garante que funcionários da Câmara compreenderão a decisão.  

"Hesitei em tomar esta medida porque senti que podia estar a ser injusto para com os trabalhadores da Câmara de S. João da Madeira, mas auscultei dirigentes e encarregados e foi muito reconfortante sentir que estiveram todos de acordo", disse.  

Pela forma como decorreram essas conversações com os chefes de pessoal, o autarca acredita que os seus funcionários vão "compreender a medida e trabalhar normalmente, sem ser a contra-gosto", pelo que considera que esta "não é uma medida do presidente da autarquia" e antes "uma medida dos trabalhadores da câmara".  

Trata-se, afinal, de aplicar à função pública os mesmos princípios da gestão privada.  

"Sempre me custou entender porque é que há tolerância de ponto na função pública e não há para as empresas privadas. Parece que o trabalho na função pública é pouco relevante, que não interessa nada e que tanto faz trabalhar-se como não se trabalhar", disse. Para o autarca, "o trabalho faz falta".  

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