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Correio da Manhã

Economia
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‘Horta’ de Lisboa rende 85 milhões

A Região Oeste é a "horta de Lisboa", pela sua importância no abastecimento dos "alfacinhas", mas também pelo contributo que tem dado à economia, superior a 85 milhões de euros, considerando os principais produtos.
5 de Julho de 2011 às 00:30
O tomate ocupa 500 ha. Metade das cem mil toneladas anuais vai para Espanha
O tomate ocupa 500 ha. Metade das cem mil toneladas anuais vai para Espanha FOTO: Carlos Barroso

"Começou em Loures, passou para Mafra e hoje é o Oeste, sobretudo Torres Vedras, Lourinhã e Peniche", diz António Gomes, presidente da Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste (AIHO).

O sector constitui uma das fileiras estratégicas do Oeste, por exemplo quanto aos hortícolas frescos, ao ar livre e em estufa. E mostra dinamismo, qualidade e capacidade para competir na Europa.

Apesar disso, o seu desenvolvimento está condicionado pela dimensão das explorações. "A excessiva fragmentação da terra de cultivo inviabiliza a mecanização e condiciona a modernização dos sistemas de produção", refere Ana Paula Nunes, do Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional.

Por outro lado, "a mão-de-obra portuguesa é muito escassa, embora agora se note um ligeiro aumento, e tem de se recorrer a mão-de-obra de fora - 40% é estrangeira, sobretudo brasileira e romena", refere António Gomes, salientando que os principais problemas são "os custos de produção e a desorganização da produção".

"As pessoas vivem muito por si. Cada uma vai tentando fazer a sua vida e o mercado não se compadece com isso As pessoas têm de se agrupar, para que não haja grande irregularidade nos preços e se venda abaixo do custo de produção", conclui o presidente da AIHO.

UM TERÇO DO SECTOR É JOVEM

No Oeste - onde os jovens no sector são 35% e há muitos técnicos formados a rondar os 30 anos -, a couve é o produto em maior quantidade (100 mil toneladas) e mais exportado (70%), cultivado ao ar livre e no Inverno. O cultivo de alho francês tem crescido nos últimos anos, dando para abastecer o mercado interno e exportar 30%. Na Primavera, o domínio é da batata e da abóbora (50% desta é exportada). Em estufa, o principal produto é o tomate, que ocupa 500 hectares e produz 100 mil toneladas por ano (50% exportado para Espanha).

"VENDEMOS MAIS 1,2 MILHÕES": José Artur Presidente da Hortas do Oeste, S.A.

CM - Como foram as vendas da última campanha?

José Artur - Registámos 16,8 milhões de euros, mais 1,2 milhões (7,9%) do que no ano anterior, merecendo especial destaque o aumento de 47,2% nas vendas intracomunitárias.

- Quais são os mercados?

- No mercado nacional são as grandes superfícies e os mercados abastecedores de Lisboa, Coimbra e Porto. As exportações vão para a Alemanha, Holanda, França e Espanha.

- Quais os produtos mais exportados?

- São a couve-coração, couve--lombarda, alho francês, batata, cenoura e couve-flor. No ano de 2010 exportámos 1,6 milhões de euros, 10% da produção.

BOLSA DE LEGUMES FACILITA AS VENDAS

A Região Oeste tem contornado as dificuldades de escoamento dos produtos com a criação de leilões diários, que vieram revolucionar a vida dos produtores, pois, de uma forma mais fácil, conseguem ter uma garantia de venda a um preço rentável. Os operadores de mercado também têm vantagens, porque o produto nacional está concentrado e evita terem de andar à procura, inclusive no estrangeiro.

Na Carmo & Silvério, em Torres Vedras, há diariamente um leilão de produtos hortícolas nacionais, destinado a armazenistas e distribuidores. Os produtos são leiloados em lotes. Ao preço por quilo são acrescidos cinco cêntimos a pagar pelo comprador para custos do leilão. O vendedor entrega dez por cento da venda ao leiloeiro.

"O que o leilão faz é regularizar o preço em função da procura e da oferta. Traz uma maior transparência na venda do produto, porque os agricultores sabem logo o preço a que conseguiram escoá-lo. Todos os dias, na conversa com os amigos no café, ficam a saber o valor de cada produto nos diversos leilões. É uma autêntica bolsa de legumes", refere Paulo Maria, administrador da empresa.

VENDE-SE CUSTE O QUE CUSTAR

Nos leilões "é tudo vendido. Podemos é vender a bom preço ou a baixo preço. Pode haver alturas em que ninguém compre, então compramos nós", refere Paulo Maria, administrador da empresa Carmo & Silvério. A ideia veio de Espanha e no Oeste existem quatro locais onde se realizam leilões diários, no concelho de Torres Vedras, com 15 a 30 compradores. 

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