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Correio da Manhã

Economia
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Insolvências disparam 380% desde 2007

Setor da construção entre os mais afetados com a crise.
Pedro H. Gonçalves 1 de Maio de 2016 às 10:40
A construção civil foi dos setores mais afetados pela crise: praticamente duas em cada dez empresas insolventes, entre 2007 e 2015, eram deste setor
A construção civil foi dos setores mais afetados pela crise: praticamente duas em cada dez empresas insolventes, entre 2007 e 2015, eram deste setor FOTO: Marcelo Sayao/EPA
Portugal viu falir mais de 24 mil empresas por decreto dos tribunais no último trimestre de cada ano entre 2007 e 2015. Mas, ano após ano, foram cada vez mais os negócios a fechar portas. Se nos últimos meses de 2007 se registaram 730 insolvências, esse valor disparou 380%, para os 3505 casos, no final de 2015.

Os dados da Direção-Geral da Política de Justiça (DGPJ) apontam mesmo que "o valor registado no quarto trimestre de 2015 corresponde a quase cinco vezes o valor registado no quarto trimestre de 2007".

Os atrasos continuam a ser um problema na Justiça. Um processo de insolvência demora 34 meses a ser resolvido. São mais oito meses de demora em relação ao quarto trimestre de 2014, período em que a pendência se situava nos 26 meses, segundo os dados da DGPJ.


Em média, os custos de cada processo de falência, insolvência e recuperação rondaram os 2182 euros , com a maior parte dos processos a darem entrada por parte de empresas de comércio, oficinas e pelo setor da construção. Praticamente duas em cada dez empresas insolventes eram da construção civil.

O custo do processo contrasta com a maioria dos casos que entram nos tribunais. Quase metade dos pedidos de insolvência discutem um valor entre os mil e os dez mil euros. Um em cada dez casos que chegam à Justiça diz respeito a dívidas até aos 999 euros.


São montantes que continuam a revelar-se complicados de recuperar para saldar as dívidas aos credores, com a taxa de recuperação de créditos a situar-se nos 7,4% – em cada cem euros de dívida da empresa que faliu, só sete euros são efetivamente saldados.

"Os restantes 92,6% do montante de créditos reconhecidos pelos tribunais não foram efetivamente correspondidos por um pagamento efetivo dos mesmos", pode ler-se no relatório dos técnicos do Ministério da Justiça.
Ministério da Justiça insolvências Direção-Geral da Política de Justiça tribunais
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