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Integração da TAP na Lufthansa poderá criar 4.º maior grupo aéreo mundial em receitas

Integração da transportadora portuguesa no grupo alemão pode permitir atingir receitas de cerca de 47 mil milhões de euros

14 de outubro de 2026 às 14:01

A integração da TAP na esfera da Lufthansa poderá criar o quarto maior grupo aéreo mundial em receitas e elevar de 9% para 20% a quota conjunta de passageiros na América Latina, segundo o Governo.

De acordo com a apresentação feita esta quarta-feira pelo executivo, a integração da transportadora portuguesa no grupo alemão permitiria atingir receitas de cerca de 47 mil milhões de euros, colocando o conjunto atrás apenas das norte-americanas Delta, United e American Airlines.

O grupo combinado tornar-se-ia assim o maior da Europa em receitas, ultrapassando a Air France-KLM e a IAG, dona da British Airways e da Iberia, que apresentam receitas de 37 mil milhões e 33 mil milhões de euros, respetivamente, segundo os dados apresentados.

Em número de passageiros, a Lufthansa e a TAP passariam a transportar cerca de 168 milhões de pessoas, tornando-se o sexto maior grupo mundial e o segundo maior europeu.

Já em termos de frota, o conjunto das duas companhias reuniria 942 aeronaves, ocupando igualmente a sexta posição mundial e a primeira entre os grupos europeus.

Um dos principais objetivos da integração é o reforço da presença da Lufthansa na América Latina, onde a sua quota de passageiros poderá aumentar dos atuais 9% para 20% com a incorporação da TAP.

A transportadora portuguesa assumirá, neste contexto, o papel de plataforma do grupo para o Brasil e outros mercados lusófonos, aproveitando a sua rede de ligações ao Atlântico Sul.

A proposta prevê também o desenvolvimento do Porto como segunda base da TAP, com oito aeronaves de longo curso, mantendo a companhia portuguesa na Star Alliance e reforçando a cooperação comercial com a United Airlines e a Air Canada.

No plano operacional, a Lufthansa prevê expandir a frota da TAP para 117 aeronaves em 2035 e 130 após essa data, num crescimento associado também à entrada em funcionamento do novo aeroporto de Lisboa.

Segundo os dados apresentados pelo Governo, esta expansão poderá representar um investimento adicional entre três mil e quatro mil milhões de euros na frota da transportadora portuguesa.

O plano admite ainda a transferência de até oito aeronaves A350-900 para a TAP depois de 2030, bem como a modernização da frota da Portugália.

Na área de manutenção e engenharia, a proposta prevê a integração da TAP Manutenção e Engenharia na rede da Lufthansa Technik e um investimento de cerca de 300 milhões de euros na unidade industrial de Santa Maria da Feira, com a criação de 700 postos de trabalho.

Estão igualmente previstos projetos ligados à produção e ao fornecimento de combustíveis sustentáveis de aviação, bem como a criação de uma escola de treino de pilotos em Tancos.

O Governo selecionou a Lufthansa para adquirir até 49,9% da TAP, com uma proposta de encaixe potencial de 1.201 milhões de euros, mantendo o Estado a maioria do capital da companhia portuguesa.

A conclusão desta primeira operação está prevista até ao início de 2028, dependendo ainda das autorizações regulatórias, nomeadamente da Comissão Europeia.

Na escolha pesou, sobretudo, a proposta financeira da Lufthansa, superior em 163 milhões de euros à da Air France-KLM, tendo sido também avaliados os investimentos associados, nomeadamente na frota, e o modelo de governação proposto.

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