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Correio da Manhã

Economia
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Investimento pode disparar neste ano

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou ontem que o investimento empresarial aumentou 3,1 por cento em 2007 e deverá subir até aos 14,3 por cento em 2008. Números que deixam alguns economistas incrédulos.
9 de Fevereiro de 2008 às 00:30
O inquérito à conjuntura divulgado sublinha que os dados foram tratados com base em informação recolhida em Outubro de 2007, pelo que “não reflectem os desenvolvimentos mais recentes no enquadramento económico. Mesmo assim, estes números mereceram críticas do fiscalista Medina Carreira, que afirmou não ser possível comentar os dados “por serem tão improváveis. Mas, a acontecer, seria algo de espectacular”.
O INE aponta que a melhoria do investimento em 2007 se explica sobretudo pelo crescimento nas áreas da electricidade, gás e água (24,7%) e que o crescimento de 14,3% em 2008 se vai dever a uma aposta na compra de equipamentos por parte das empresas, de forma a aumentar a produtividade. Os sectores que vão gerar mais investimento, segundo o INE, seriam os do turismo e restauração, seguidos dos transportes, comunicações e actividades financeiras.
Vítor Gonçalves, ex-presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), garante que ficaria muito satisfeito se estas previsões se concretizassem, mas tem sérias dúvidas. O economista recorda que, “muito provavelmente, a economia portuguesa vai sofrer um abrandamento”, e a dificuldade de as empresas exportarem por causa da subida do euro face ao dólar são “aspectos que apontam para que o investimento empresarial não tenha um crescimento dessa ordem”. Relativamente às exportações, o INE revelou também que Portugal apresentou, até Novembro do ano passado, um aumento no défice comercial de 1,8 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior.
O economista do ISEG faz ainda questão de apontar a data de realização do inquérito, Outubro de 2007, para explicar o optimismo. “O ano passado foi muito positivo para o turismo, com a construção de vários hotéis de cinco estrelas. É normal que na altura houvesse grandes expectativas para 2008, mas o cenário económico mudou desde então”.
O presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), Armindo Monteiro, também não acredita no INE. “O investimento no nosso país está a reboque dos fundos comunitários, e saber que vem aí dinheiro, pelo QREN, estimula o investimento, mas estes valores são demasiado optimistas.”
TAXA DE JURO RURIBOR EM QUEDA
A taxa de juro Euribor, em todos os prazos, está em quebra há um mês e meio.
A taxa de juro Euribor a seis meses, a mais utilizada pelos portugueses nos contratos de empréstimo para a compra de habitação, desceu ontem para 4,296 por cento. Nesta semana, a mencionada taxa de juro desvalorizou-se 1,6 por cento. Se a tendência de baixa se mantiver, as prestações mensais dos créditos habitacionais vão diminuir, o que permitirá à maioria das famílias portuguesas ficar com uma folga orçamental todos os meses.
Muitos analistas esperam que o Banco Central Europeu reduza a taxa de juro directora dos países do euro para 3,5 por cento até ao próximo Verão (uma descida de 25 pontos-base em Abril e outra em Junho). Deste modo as economias ganhariam um novo fôlego.
O PRIMEIRO HOTEL DE SEIS ESTRELAS
O ministro da Economia, Manuel Pinho, esteve ontem na Quinta do Lago, Algarve, nas obras daquele que será o primeiro hotel português com serviço de seis estrelas. Com um custo de 88,63 milhões de euros, será inaugurado no final de 2009.
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