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Correio da Manhã

Economia
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Investimentos da China em Portugal é forma de "pôr dinheiro a render"

O presidente do Clube Lusitano em Hong Kong considera que a China investe em Portugal para "pôr o seu dinheiro a render", numa ligação empresarial e política.
14 de Fevereiro de 2012 às 12:33
O  presidente do Clube Lusitano em Hong Kong considera que a China investe em Portugal para "pôr o seu dinheiro a render", numa ligação empresarial e política
O presidente do Clube Lusitano em Hong Kong considera que a China investe em Portugal para 'pôr o seu dinheiro a render', numa ligação empresarial e política FOTO: d.r.

"Acredito que a China pensa que é uma possibilidade de pôr o seu dinheiro a render", disse Francisco Da Roza, a propósito dos negócios com Portugal, onde se destaca a compra em Dezembro de 21,35 por cento da eléctrica EDP pela China Three Gorges Corporation por cerca de 2,7 mil milhões de euros.

Além dos sectores estratégicos, o presidente do Clube Lusitano destaca "oportunidades" nos mercados financeiros, "particularmente porque a China está interessada em promover a sua moeda como meio de troca".

"O yuan está a tornar-se importante e irá apresentar oportunidades interessantes", defendeu.

Com uma carreira construída nas principais praças financeiras internacionais, desde Nova Iorque, a Sidney e Hong Kong, Francisco Da Roza salientou que o facto de a China arriscar em Portugal numa altura em que outros países o temem não pode ser dissociado da vertente política.

"A China está interessada em construir essas ligações via negócios e, claro, a dada altura isso também acontecerá a nível político", observou, ao destacar que o país asiático "está a aprender a desempenhar o seu papel no palco mundial", nomeadamente através das "ligações com diferentes países".

"A China está a ganhar terreno lentamente, mas de forma bastante sensível", acrescentou o sócio do Clube Lusitano há mais de 30 anos e presidente desde 2010.

Sobre a realidade portuguesa, Francisco Da Roza salientou que "Portugal tem um longo caminho a percorrer porque estruturalmente tem de mudar para ser competitivo". E além das "oportunidades das ligações às antigas colónias", e da exportação de produtos tradicionais como o vinho, destacou o potencial de outras áreas, como a tecnológica.

"Claro que os produtos tradicionais ainda continuam bastante competitivos porque são negócios com um longo historial, mas os tempos estão a mudar e estou bastante feliz por Portugal ser, ele próprio, um líder em muitos campos da inovação tecnológica. Este aspecto de negócio de Portugal não é tão conhecido e devia ser feito um maior esforço em publicitá-lo", afirmou.

Para Francisco Da Roza, Portugal deve ainda colocar as várias áreas em que se destaca ao serviço da promoção do país, da cultura ao desporto.

"Portugal não tem um grande historial no rugby, mas está a jogar muito bem. O facto de a selecção portuguesa vir a Hong Kong [participar no torneio 'Sevens', em Março] podia ser usado para publicitar Portugal", sugeriu.

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