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Correio da Manhã

Economia
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Já voaram 9 mil milhões da Bolsa

Principais praças afundam com receio de que a Europa entre em recessão.
Diana Ramos e Pedro H. Gonçalves 17 de Outubro de 2014 às 19:07
Problemas na Grécia contagiam principal índice nacional
Problemas na Grécia contagiam principal índice nacional FOTO: EPA

A instabilidade política na Grécia lançou uma onda de pânico nas bolsas europeias, a começar pelos países onde a troika já passou. Só do PSI 20, principal índice da Bolsa portuguesa, já voaram 9 mil milhões de euros desde o início do ano. Cinco empresas nacionais perderam em conjunto mais de 6 mil milhões em bolsa.

O PSI 20 fechou ontem nos 4916 pontos, uma desvalorização de 25% face ao início do ano e tocando em mínimos de dois anos. Uma derrocada que acompanhou a tendência europeia, com Londres, Paris e Madrid a registarem perdas. Tudo porque os investidores temem que a situação problemática do resgate na Grécia seja o empurrão que falta para deitar abaixo a economia da moeda única, que não tem registado indicadores que acalmem os mercados – a começar pela baixa inflação. Para os investidores, há agora um receio de maior probabilidade de recessão económica. "Este cenário, que já tinha sido ultrapassado, voltou a ser revisitado e motivou investidores a reavaliarem as suas posições", explica ao CM João Queiroz, da GoBulling.

No PSI 20, a retalhista Jerónimo Martins lidera as perdas desde o arranque do ano: desvalorizou 3908 milhões de euros e está agora nos cinco mil milhões de euros em termos de capitalização bolsista. Outro tombo significativo foi o da Portugal Telecom (PT), que deslizou 1636 milhões de euros, mais de metade do que valia a 31 de dezembro.

Somando os milhões que representam as quebras de 40% do Banif, cerca de 24% na Impresa e os 21% da Teixeira Duarte, estas cinco empresas perderam em Bolsa 6019 milhões.

Grécia ameaça Zona Euro

A Europa ainda recupera da maior crise económica que enfrentou com a moeda única, mas os analistas temem que possa vir aí outra tempestade financeira. Tudo porque os ministros das Finanças da Zona Euro estão relutantes em aprovar uma saída antecipada da Grécia do programa de resgate, como é vontade de Atenas.

A preocupação prende-se com a capacidade de a Grécia se financiar sozinha: em caso de falhanço, a Europa arrisca mais um resgate das contas públicas helénicas. Atenas terá também eleições presidenciais em breve, e um resultado negativo para o governo de Antonis Samaras pode ditar legislativas antes de tempo, com os críticos da troika a conseguirem avanço nas sondagens.

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