Jaba vendida por quase 60 milhões

Joaquim Coimbra, ex - proprietário da Labesfal, vai vender as três principais empresas do grupo farmacêutico Jaba aos italianos Recordati. Um negócio que deverá estar fechado até à próxima sexta-feira, dia 15 de Setembro, e renderá ao empresário de Tondela entre 55 a 60 milhões de euros.
09.09.06
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O grupo português Jaba esteve, assim, nas mãos de Joaquim Coimbra menos de dois anos, depois de, a cinco de Janeiro de 2005, ter comprado o laboratório por 40 milhões de euros.
Para o empresário esta “é uma oportunidade para fazer crescer a empresa”. “O grupo italiano vai trazer novos produtos de investigação e, ao mesmo tempo, investir na produção em Portugal”, explica.
Até 2007, Recordati compromete-se a aumentar em 30 por cento a produção do laboratório no País, na sequência da deslocalização do fabrico de medicamentos de outros países, nomeadamente de França. O Jaba “vai ser um grande exportador”, conclui o empresário.
Apesar da venda das três empresas - Jaba Farmacêutica, Jabafarma e Bonafarma - Joaquim Coimbra vai continuar ligado ao grupo, como presidente do conselho de administração e proprietário de dois projectos mais pequenos, a Clintex (empresa de promoção médica) e a Novamed (equipamentos e dispositivos médicos), também enquadrados no grupo.
Apostando em novas áreas além da farmacêutica, com projectos em Portugal e no estrangeiro, Joaquim Coimbra acaba de investir na comunicação social. É accionista do novo semanário ‘Sol’, dirigido por José António Saraiva, ex-director do Expresso, detendo 25 por cento do capital.
Nesta que é a sua primeira experiência no sector, Joaquim Coimbra investiu mais de um milhão de euros. “Nunca me passou pela cabeça entrar nesta área, mas este projecto é diferente e estou na expectativa”, diz, acrescentando que não tem como objectivo imediato o investimento noutros meios de comunicação social.
Joaquim Coimbra mantém ainda outras fábricas farmacêuticas em Espanha, Argentina e Cabo Verde e desempenha vários cargos nos sectores metalúrgico, do turismo, vitivinícola e financeiro, através da companhia seguradora Impar, em Cabo Verde.
PERFIL
Joaquim Alberto Vieira Coimbra, nasceu em Tondela há 55 anos, teve de esperar até ao casamento para se tornar num dos empresários mais bem sucedidos do País. Até então trabalhava com a família numa empresa de abastecimento de navios, em Moçambique. Mas, ao casar com Maria João Almiro, em 1976, passou a colaborar na farmácia do sogro. Hoje tem vários investimentos no País e no estrangeiro, e na política é dirigente nacional do PSD.
NASCIDO EM TONDELA
“Só não tem tempo quem não faz nada”. Esta é a máxima de Joaquim Coimbra, empresário de Tondela que, ao começar a sua carreira na indústria farmacêutica depois de casado, conseguiu formar um ‘império’. Na farmacêutica, com fábricas em Espanha, Argentina e Cabo Verde, mas também noutros sectores. Joaquim Coimbra é, por exemplo, administrador dos vinhos Dão Sul, com várias marcas espalhadas pelo País e Brasil. Além disso, é presidente de uma fábrica metalúrgica em Nelas, Viseu.
O turismo é outra das suas paixões, com vários investimentos, sendo de destacar o novo ‘resort’ na ilha Boavista, em Cabo Verde. O projecto, que inclui um hotel e várias vivendas, deverá começar a ser materializado no início de 2007, num investimento de 50 milhões de euros. Cabo Verde é, aliás, um dos países de eleição deste empresário. Por isso mesmo, comprou uma casa na ilha do Sal, onde passa férias com a família.
"GRUPO CRIARÁ MAIS POSTOS DE TRABALHO" (JOAQUIM COIMBRA, EMPRESÁRIO)
Correio da Manhã – Porque vendeu o Jaba?
Joaquim Coimbra – Por um lado, foi bom para os accionistas, pois este sector precisa de massa crítica para crescer. Por outro, é bom para o País. O Jaba muda o accionista para se tornar num grupo internacional. Vai ser um grande exportador e, no futuro, criar mais postos de trabalho.
Correio da Manhã – Porque decidiu investir na comunicação social?
Joaquim Coimbra – Sou sócio fundador do Sol, com outros três accionistas. Fui convidado para participar neste projecto e aceitei. É a minha primeira experiência no sector mas o meu único papel é definir estratégias económicas e financeiras para o jornal.
Correio da Manhã – É presidente da Assembleia Municipal de Tondela. Vai investir na vida política?
Joaquim Coimbra – Não. Estou na política para ajudar as pessoas da minha região. Faço parte do PSD desde 1975 e sempre estive envolvido nas questões políticas a nível local. Fiz parte da Comissão Política de Durão Barroso, mas sai com Santana Lopes. Retomei, depois, de Marques Mendes me ter convidado.

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