Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
8

Jardim Gonçalves: “Havia milhares de offshores com mandatos de gestão”

O antigo presidente do BCP, Jardim Gonçalves, afirmou esta sexta-feira em tribunal que, em 2002, quando foram descobertas as 17 offshores sem dono conhecido e que o Ministério Público acredita serem pertença do banco, “havia milhares de offshores e clientes ‘on’[shore] que tinham mandatos de gestão no banco” relativos à sua carteira de acções.
29 de Abril de 2011 às 17:56
“Eu fui às assembleias-gerais e recebi procurações sem nenhuma conspiração”, sublinhou o antigo presidente do BCP
“Eu fui às assembleias-gerais e recebi procurações sem nenhuma conspiração”, sublinhou o antigo presidente do BCP FOTO: Lusa

No julgamento que está a avaliar o recurso dos antigos gestores do BCP à multa aplicada pelo Banco de Portugal, o ex-banqueiro tentou assim explicar o facto de ninguém se ter apercebido da existência daquelas sociedades sem um dono formal conhecido, adiantando que “a administração [do banco] tinha a responsabilidade que a direcção funcionasse e não de juntar as ordens todas”.

Questionado pelo advogado do Banco de Portugal, José Moutinho, sobre o motivo pelo qual o banco não informou o regulador da falha na detecção dos donos das offshores, o ex-banqueiro explicou que “não devia ter informado [o Banco de Portugal] porque também existiram outras falhas. “Tive 37 anos de relação com o banco de Portugal e tinha a medida do que devia ou não ser comunicado”, defendeu Jardim Gonçalves.

Sobre o facto de receber cartas de representação dos accionistas nas assembleias-gerais (AG), Jardim Gonçalves garantiu que quando se dirigia para aquelas reuniões de accionistas nunca sabia a percentagem de capital que ia representar. “Eu fui às assembleias-gerais e recebi procurações sem nenhuma conspiração”, sublinhou o antigo presidente do BCP.

Jardim Gonçalves justificou o facto de enviar cartas aos accionistas antes das AG dando-lhes a possibilidade de delegar num membro do conselho de administração a sua representação com a intenção de que “a assembleia fosse participada”. E deixou uma crítica à forma como a actual administração gere o dossiê: “Este ano recebi uma carta assinada pela secretária da sociedade informando-me da AG. Com todo o respeito pela senhora, eu nunca fiz isso, era eu que escrevia pessoalmente”.

Em julgamento está o recurso dos ex-gestores do banco de Portugal Jorge Jardim Gonçalves, Filipe Pinhal, Christopher de Beck, António Rodrigues, Castro Henriques e Alípio Dias, a par do antigo director, Luís Gomes, à coima aplicada pelo Banco de Portugal.

O regulador multou os ex-administradores por prestação de informação falsa e falsificação de contas através do uso de sociedades offshore' para compra de acções próprias. A Jardim Gonçalves foi aplicada uma multa de um milhão e 9 anos de inibição de funções no sector financeiro.

bcp jardim gonçalves banco banca millennium banco de portugal bdp offshores
Ver comentários